quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poetar é preciso...




Acredito sensivelmente que nós mortais precisamos beber 
deste néctar precioso que é a escrita. 
Infelizmente, nem sempre somos compreendidos.
A escrita é uma lâmina afiada que pode cortar, desamarrar e 
salvar-nos, como também pode ferir e matar-nos.
Fazer-se conhecer através da escrita não é fácil. 
O autor que se desnuda através dela, tem de ter nervos de aço, 
mas coração de pescador...
Todavia, enfrenta marés violentas, outras mar taciturno...
Nem sempre se pode colher redes abundantes, pois que 
o mar muitas vezes nos nega seu fruto...
O verdadeiro autor não cabe só dentro de si, ele não cabe só 
num quarto à luz de um abajour, tendo apenas como 
companheira uma velha, mas fiel escrivaninha,
uma cadeira gasta e uma página em branco...
Não! O autor é do mundo!
O mundo espera por ele, quer ouvi-lo, lê-lo, vê-lo, senti-lo...
Não mate as palavras dentro de seu coração, pois que o 
verso é santo, forte e livre.
Não se abandona o barco antes do naufrágio.
Ainda assim, no fundo do mar, inquieto e silencioso, 
o barco dorme o sono dos anjos...
Quem nasce poeta, vive e morre pela escrita!
Pois que o poeta é um barco, que com o tempo aprendeu 
a navegar ora em rotas serenas ora turbulentas.
Dê tempo ao mar, deixe-o apaziguar, pois que o sol ainda 
há de brilhar sobre as velas...


(Márcia Cristina Lio Magalhães - 2009)


PS: Neste dia, Márcia, insiro aqui um trecho do seu blogue.
      Votos de muitas venturas ... e poesias.
      Clique no nome do texto  "Carta ao Poeta"  para ver 
      a origem

2 comentários:

  1. Amigo, honra-me ter um de meus escritos postados em teu espaço.
    Fico feliz que as pessoas lêem meus escritos e gostam, há maior contentamento ao poeta do que este reconhecimento?

    Volta sempre ao meu cantinho, faz dele teu também!
    Leve o que quiser, tens permissão, desde que dê os créditos à Autora.

    Carinhoso abraço!

    Márcia

    Blog Poetar é Preciso

    PS: Faltou apenas uma palavra no final do texto:
    Lê-se corretamente:

    "pois que o sol, ainda há de brilhar sobre as velas..."

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