sexta-feira, 29 de abril de 2011

Mudanças de pensamento e... de vida



Impensável até ao momento...

(Foto retirada da Net)


Na minha vida nunca houve espaço para cães.
Por motivos vários: falta de espaço, viagens frequentes,
alguns custos e falta de apego à ideia.
Ter um animal de estimação só por ter e não cuidar bem dele,
é pura hipocrisia.
Mas, vejam o fofinho que é o bichinho da foto.
É mesmo um amor.
...
Resolvi chamar-lhe ALDI.
“ALD” é acrónimo e o “I” é de imaginário (acrónimo imaginário)
No meu imaginário o ALDI é o “amigo” que gostaria de ter.
Não fossem as razões antes apresentadas, eu iria procurar saber
onde encontrar uma fofura assim.
Decerto que tem ou  teve dono(s). 
Assim deve ser, senão a foto não apareceria na Net.
...
Mas, nada está perdido...
Quando houver razões de sobra e uma melhor estabilidade,
talvez vá tentar encontrar igual ou um substituto.
...
ALDI...
Também me faz lembrar o refrão de uma antiga cantiga italiana.


quinta-feira, 28 de abril de 2011

Contrasensos da vida...

(Foto retirada do Google)


Sabotagem

Eu trabalho enrolando cubanos. Não, não é falsificando vistos e passaportes para moradores da Ilha que, disfarçados de gringos fazendo turismo, queiram fugir para lugar melhor. É na manufatura de charutos, mesmo. Enrolando largas e secas folhas de fumo, sempre no mesmo sentido sobre uma pedra de mármore, com a mesma apurada destreza para que saiam perfeitos, das 8 às 22, há 34 anos.
Puros, hechos a mano. Amo o que faço. Fabrico a morte dos que podem mais, e isso me excita e me vinga. Pagam dezenas de dólares por um único Castrovilla, que eu de caso pensado manipulo com as mãos besuntadas de fezes e catarro, sem que o inspetor de qualidade perceba. Fezes e catarro que dão liga às folhas que fazem este fálico objeto de desejo. Entre um gole e outro de licores finos, os poderosos enchem suas bocas bem cuidadas com meus excrementos. Antes que morram hão de saber da verdade, e tentarão com seu dinheiro extirpar seus pulmões e implantar outros novos, rosadinhos, sem a merda e sem o catarro que tantas vezes inalaram.
O que há de mais imundo em mim viciando o ar das reuniões sigilosas e dos conchavos secretos. Meus dejetos sacramentando o jantar dos deuses – nos transatlânticos, nos cassinos, onde houver luxo e cobiça. Que mais um pobre nativo, sem berço e sem dinheiro para o caixão, poderia querer da vida?

*****
PS: Postagem retirada de um blogue amigo, não mencionado e creditado por questões óbvias.




quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quando os medos de outrém são meus medos também...



Por vezes tenho medo.


Tenho medo do que pode acontecer amanhã ou depois; medo de perder quem amo. Tenho medo de enfrentar o dia; medo de não ter força para lutar. Tenho medo de não conseguir encontrar o meu lugar no mundo; medo, principalmente de morrer sem ninguém, à deriva...

terça-feira, 26 de abril de 2011

Em algumas coisas fomos os primeiros...

(Primeira missa no Brasil - 26 de Abril de 1500 - Imagem retirada do Google)
Nisto fomos os primeiros. 
Assim como em muitas outras coisas, boas e más.
Os relatos da época, bem como a pintura acima, descrevem 
que tudo correu muito bem. Veja-se aqui.


Mas, fiquemo-nos pela efeméride. 
Não levantemos as poeiras do passado, pois...
muito haveria a recordar (de bom e de mau).

sábado, 23 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Em busca da Páscoa perdida....


"O Deus que todos levamos,
o Deus que todos fazemos,
o Deus que todos buscamos
e que nunca encontraremos:
três deuses e três pessoas
do único Deus verdadeiro."


"Antonio Machado, Poesia do Século XX, Porto, Ed. Asa; 
 Antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Biológicamente...

Nada tem lógica....


É o meu computador que é "turbo-lento";
É o meu corpo que reage "a zero";
Sou eu que ando falho de ideias para postar;
É o meu computador que está com "falha de memória";
Sou eu que penso "a 120 p/h" (limite máximo permitido);
É o meu computador com "um script" (que o torna lento);
É o País  "que está como está";
Sou eu "que me afundo com ele";
É o meu computador que me puxa "para ser mais facebookiano";
Sou eu que estou descurando o meu blogue;
****
Apesar destes problemas e dilemas, desejo a todas as 
minhas amizades e leitores, uma sincera


****** BOA PÁSCOA ******


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Que somos nós, os Portugueses?



MESTIÇAGEM

Ao longo dos tempos, como a história nos ensina, muitos foram os povos que passaram os Pirinéus e vieram até à Península Ibérica. 
Muitos por cá ficaram, com destaque especial para os que se foram fixando na faixa mais ocidental do mesmo território, e que, na sua geografia, corresponde, parcialmente, ao nosso país.
Por cá andaram Suevos, Alanos, Visigodos, Romanos,…uns, em busca de território para se fixarem, pouco se importando com a sorte dos que haviam chegado antes, outros, simplesmente empurrados de outras bandas. Alguns, como os muçulmanos arriscaram a partir do Norte de África, passaram o Mediterrâneo e também eles conquistaram território. 
Depois de guerras e escaramuças, avanços e recuos, massacres e violações, o resultado final foi sempre a inevitável coexistência, mais ou menos pacífica, e os inevitáveis cruzamentos de raças e civilizações. Para quê “brigar” se não havia mais sítio para fugir? Para além daqui só o mar imenso!...
A seguir aos que já cá estavam, outros vieram, entretanto, e, com maior ou menor passividade, foram ficando também. Mas a pequenez do território e o desejo de conquista e descoberta de novos horizontes estavam nos genes destas gentes e fomos mar afora, à aventura… Descobrimos, conquistámos, violámos, escravizámos, massacrámos… em nome do evangelho e da fé cristã, quase sempre. Voltámos de novo, muitas vezes expulsos e foragidos dos lugares por onde andámos… Em muitos sítios deixámos obra e descendência… Muitas vezes trouxemos connosco o fruto dos cruzamentos que fizemos. Trouxemos escravos arrancados à força às suas terras e famílias… Fomos tiranos, desumanos e hoje aqui nos encontramos desta forma como somos… mas será que…
nós somos lusitanos?


Na verdade
Descendemos de arianos
Puros
Cruzados
Com muçulmanos
Duros
E com africanos
Escuros
Temos sangue d’ asiáticos
E dos índios do Brasil
Viemos de toda a parte
Já não somos uma raça
Somos mil
Temos parentes ingleses
Somos primos dos gauleses
Já partimos
Já voltamos
E partirmos novamente
Povoámos nossas ilhas
Com gente de toda a parte
Construímos maravilhas
Com outros tipos de gente
Criámos o fado e a saudade
Lançámo-nos à aventura
Cometemos nossos males
Massacres, escravatura
Fomos tiranos
Desumanos
E aqui nos encontramos
Fomos amados por uns
E por outros odiados
Fomos acolhidos
E expulsos
Ensinámos
Aprendemos muito mais
Humanamente desumanos
Somos tudo
Somos nada
Somos pródigos e possessos
Somos uma raça sem raça
Somos ciganos travessos
Somos árabes e judeus
Somos indus e católicos
Protestantes e ateus
Somos bons negociantes
Vigaristas, traficantes
Somos próximos e distantes
Retornámos à partida
Já mestiços
Somos gente que não passa
Sem trapaça e confusão
Somos uma raça sem raça
Somos nós, os portugueses
Mas Lusitanos já não!...



(Duarte Arsénio)


*****
PS - Devo o crédito desta postagem ao meu amigo Rogério do Carmo
       aquique o postou no Facebook. Vidé ... aqui

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Caminhos da poesia



«Em tempos conturbados, 
um mergulho na poesia pode, 
por momentos, aliviar o espírito 
dos que sentem a força da palavra»



"Sempre que mergulho num verso",
com a certeza de não ser ouvido,
eu contigo converso,
apesar do apelo repetido,
do teu nome clamado,
só me resta a dispersa poesia,
de palavras inintelígíveis,
de versos falhados,
de amores defraudados,
incomprensíveis.
...
E me relego,
para caminhos
não percorridos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

No meio de uma encruzilhada...

Está tudo contra mim!!!



Da loucura…


Sobre este aspecto, e num pensamento bastante vago, reconheço-me, na compreensão e análise do assunto, com a opinião de Michel Foucault quando diz:
“Se se define a doença mental com os mesmos métodos conceituais que a doença orgânica, se se isolam e se se reúnem os sintomas psicológicos como os sintomas fisiológicos, é porque antes de tudo se considera a doença, mental e orgânica, como uma essência natural manifestada por sintoma específico. Entre estas duas formas de patologia, não há então unidade real, mas somente, e por intermediário destes dois postulados, um paralelismo abstrato. Ora o problema da unidade humana e da totalidade psicossomática permanece inteiramente em aberto.”
Mas apesar destas palavras já soarem a velho nos dias que correm, proferidas na década de 1970 do século passado, ainda existem pessoas que confundem seus estados de comportamento considerados normais com padrões estáveis de saúde, tanto mental quanto orgânica. Desta forma sentem-se confortáveis para, em função de sua própria normalidade, e crenças, julgar doente aqueles que agem de forma diferente das suas.
Sintomático de uma sociedade que se normatiza através da TV e da Internet. Ao contrário de um bom livro, onde o pensamento é formado a partir da crítica individual das palavras do autor, a TV retira a crítica, por apresentar a análise já pronta. E a Internet, igualmente redutora (em alguns casos a 140 letras) abre o espaço à interação, apesar de fazê-lo em dois sentidos: 1) de uma forma a-crítica, onde os comentários as palavras não são ripostadas pelo autor, dando, desta forma, margem para os comentários dos mais estapafúrdios, loucos mesmo, aos olhos dos outros comentadores, principalmente pela exiguidade das referências formais que sustentam e justificam o pensamento do comentarista, como são exemplos os cometários nos jornais; 2) de forma crítica por parte do(s) autor(es), porém, sempre permeados por uma convicção firme de suas ideias que, ao serem criticadas, são vistas como ofensivas, por vezes retiradas outras não, mas sempre recusadas. São exemplos destas os blogues pessoais.
Daí a diagnósticos, dentre os comentadores, também estapafúrdios a cerca de comentários dos outros, estabelecendo-se uma conversa de surdos, com opiniões absurdas, dignas da loucura formal, imaginada por agentes oníricos de uma razão esdrúxula. Sinal dos tempos.

(Edgard Costa)


*****
Não sei quem anda mais louco?
Se eu... ou se o meu computador?
Acho que ambos não estamos a 
funcionar bem!
Ou serão já efeitos da crise?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Crises...


O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. 
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. 
O amor comeu meus cartões de visita. 
O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. 
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. 
O amor comeu metros e metros de gravatas. 
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de 
meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. 
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. 
Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas meus raios-X. 
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. 
Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. 
Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, 
escovas, tesouras de unhas, canivete. 
Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: 
meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de 
água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. 
Bebeu a água dos copos e das quartinhas. 
Comeu o pão de propósito escondido. 
Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios d'água.

(João Cabral de Melo Neto)


*****
Tudo isso o Amor comeu!
O resto irá ser, pouco a pouco, comido,
reduzido até à pele e ao osso, pelos...
-  Déficit;
- Dívida externa;
- Juros da dívida;
- Ratings;
- E.t.c.; e.t.c.; e.t.c....
***************    DA MALDITA CRISE **************

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Sorvendo poesia...


Entre O Sono E Sonho

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

(Fernando Pessoa)

Não digam a ninguém...

Porque é segredo...


terça-feira, 5 de abril de 2011

Matando o tempo...




As horas mortas deram entrada na morgue 
e lá ficaram em eterno descanso; 
pobres dos minutos que, em contrapartida, 
nunca mais tiveram um segundo de sossego.

O Horto do Zé-Formiga

(Horta desejada)

Fazendo jus ao meu apelido na net (Joe-Ant) e porque
tenho uma pequena àrea não tratada, mas pronta a ser ulitlizada,
perante o aparecimento desta crise que se avizinha forte, resolvi
dar utilidade ao mesmo criando um horto ou uma horta (se assim quizerem).
Neste fim de semana, com uma máquina emprestada para remexer 
a terra, vou limpar bem o mesmo, separar os resíduos que possam 
ser utilizados para fazer compostagem. 
A caixa para a mesma já está a ser feita, e irá ser colocada no canto 
mais distante de residências.
Num site de uma empresa recicladora, já tirei todas as normas e 
ensinamentos para fazer a dita compostagem biológica.
Já estudei o “Borda d’Àgua” e as minhas necessidades mais 
imediatas, além dos produtos mais prometedores para aliviar a 
carga doméstica.
Já estudei o sistema de rega a aplicar e formas de reservar àgua.
...
Assim, vou iniciar-me em cultivos biológicos, para uso próprio,
além da possibilidade espiritual de me sentir útil e cortar nos
gastos em certos produtos hortícolas.
Vou virar “formiga-poupadora” e adquirir paz de espírito.
Espero conseguir um bom objetivo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Eternidade...

Apenas os instantes 
são capazes de dar ao tempo 
o que lhe falta: 
a surpresa. 
Em cada imprevisto 
viaja o arrepio que o tempo, 
em sua densidade homogénea, 
ao mesmo tempo teme e anseia.


sábado, 2 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mãe-Preta...


NAKALULA...

A menina estava a morrer. Estava a morrer de fome. Corria entre eles que o quimbanda dos brancos tinha dito que só o leite de mulher a podia salvar, mas que a senhora não tinha leite. E na noite sereníssima, gorda e empapaçante de calor, ferida de quando em quando pelo ladrido distante dos chacais ou pelo gargalhar cínico da hiena, chegavam-lhes tenuíssimos vagidos de criança, como perfume evolado de uma pobre planta moribunda, a cujas raízes não chegasse uma gota de água.

Havia três dias que os braços de Nakalula estavam ermos. Os seios, inchados de leite, doíam-lhe, mas não tanto como o vazio que a morte do filho lhe deixara no coração. Era um vazio alucinante, maior do que a falta do seu homem, do que a falta de tudo que violentamente fora arrancado da sua vida e que ficara a brilhar lá longe, nas funduras verdes do sertão, nos infinitos recôncavos da sua saudade.

Aquele vazio era outro. Eram os seus breços e os seus seios frustrados na pujança animal de ser mãe. Nesse vazio apenas tinha um sentido coordenado, a recordação da cena em que D. Auta, com Murique nos braços, embalando-o, esperava a chegada do Dr. Balsemão. Sim, ela fora mãe para o seu filho...

A solidão da noite tornava mais claro o choro que vinha de dentro da casa. Os seus seios doíam-lhe, inchados de leite, os seus braços estavam vazios, o seu coração precisava do amor de uma criança.

Atravessou o quintal, subiu a varanda e a alta figura desempenada e elegante, de ganguela, desenhou-se no rectângulo da porta do quarto onde Bébé chorava no seu berço.

Nakalula, a passo firme, avançou até ao berço, pegou na Bébé por um braço, como fazia a Murique, acocorou.se e, num ritual velho, velhíssimo, desde os primórdios das raças humanas, começou a dar-lhe de mamar. A mãozita de Bébé, assente no seu peito, parecia uma rosa da roseira do quintal, caída num precioso estofo de cetim negro.

A cena foi tão rápida, e imprevista, que D. Auta, pregada ao chão, só conseguiu balbuciar:
- Sofia!

E as lágrimas caíam-lhe, abundantes, pelas faces, embargando-lhe as palavras.

In "Romance da Ama Negra"
LÍLIA DA FONSECA

AMOR ... a quatro mãos.


Promessa proferida
Acalentadamente percebida
Reflectida no olhar
Amorosamente velado
Cúmplice desejada
Há muito cobiçada
Emprestada à Carícia
Sofregamente, com malícia
Perpetuada no corpo
Enraizada nos genes
Eternizada na alma
Cheia de amores perenes