sábado, 18 de junho de 2011

Uma "estrela" lá... onde estiver. Um ano de saudade...



Talvez...


"Na ilha, por vezes, habitada"


Na ilha, por vezes habitada,
do que somos,
há noites, manhãs e madrugadas
em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.

O mundo aparece explicado definitivamente
e entra em nós uma grande serenidade,
e dizem-se as palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra
e apertamo-la nas mãos. Com doçura.

Aí se contém toda a verdade suportável:
o contorno, a vontade e os limites.
Podemos então dizer que somos livres,
com a paz e o sorriso de quem se reconhece
e viajou à roda do mundo infatigável,
porque mordeu a alma até aos ossos dela.

Libertemos devagar a terra
onde acontecem milagres
como a água, a pedra e a raiz.
Cada um de nós é por enquanto a vida.
Isso nos baste.



***
Homenagem em Lisboa   (Clique para ver vídeo)

1 comentário:

  1. Grande lembrança!

    Passado, Presente, Futuro

    Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
    Mil camadas de pó disfarçam, véus,
    Estes quarenta rostos desiguais.
    Tão marcados de tempo e macaréus.

    Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
    Rã fugida do charco, que saltou,
    E no salto que deu, quanto podia,
    O ar dum outro mundo a rebentou.

    Falta ver, se é que falta, o que serei:
    Um rosto recomposto antes do fim,
    Um canto de batráquio, mesmo rouco,
    Uma vida que corra assim-assim.

    "Os Poemas Possíveis"

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