sábado, 11 de junho de 2011

Há horas de sorte...




Hoje, no calendário romano, celebra-se Fortuna, 
a deusa da sorte e prosperidade.

Fortuna era a deusa romana da sorte (boa ou má), da esperança 
Corresponde a divindade grega Tique. 
Era representada com portando umacornucópia e um timão, 
que simbolizavam a distribuição de bens e a coordenação da 
vida dos homens, e geralmente estava cega ou com 
a vista tapada (como a moderna imagem da justiça), 
pois distribuía seus desígnios aleatoriamente.

Entoe este antigo encantamento diante de uma vela dourada
e algumas moedas e frutas:

Ave Fortuna, Senhora da Prosperidade! 
Verta sobre mim a cornucópia da felicidade e 
da abundância!
Brilhe sobre mim seu sol favorável.
Salve, Fortuna!” 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Neste dia....

Acho que perdemos, outra vez,
a nossa "Independência"


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Tomara que assim fosse...



Palavras de Jacob depois do sonho

Amei a mulher amei a terra amei o mar
amei muitas coisas que hoje me é difícil enumerar
De muitas delas de resto falei
Não sei talvez eu me possa enganar
foram tantas as vezes que me enganei
mas por trás da mulher da terra e do mar
É esse o seu nome e nele não cabe temor
Mas depois deste sonho sou obrigado a cantar:
Eis que o senhor está neste lugar
Porquê não sei talvez uma haste balance
talvez sorria alguma criança
Terrível não é o homem sozinho na tarde
como noutro tempo de esplendor cantei
Terrível é este lugar
Terrível porquê?
Não sei bem
Talvez porque o senhor pisa esta terra com os seus pés
(lembro-me até de que mandou tirar as sandálias a moisés)
Levanto os dois braços aos céus
Aqui - mulher terra mar -
Aqui só pode ser a casa de deus

(Ruy Belo)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"Esta Lisboa que eu amo"

Meu "romance" com Lisboa e arredores...


Dia Mundial dos Oceanos



Dia do mar do meu quarto – cubo
Onde os meus gestos sonâmbulos deslizam
Entre o animal e a flor como medusas.
Dia do mar no ar, dia alto
Onde os meus gestos são gaivotas que se perdem
Rolando sobre as ondas, sobre as núvens.


(Sophia de Mello Breyner)


terça-feira, 7 de junho de 2011

Num novo dia que desperta...




Rei Sol que está aquecendo
Toda a vida que há na Terra
Todo o bem que ela encerra
E que lentamente está morrendo

Bem que o Homem vai esquecendo
Na ambição que o desespera
Envolvido pela quimera
E o próprio fim vai tecendo

Rei Sol do alto trono olhando
O Homem em paroxismo aniquilando
A bela e divina Natureza

E quando sem barreiras na Terra entrar
Sua força abrasadora irá devorar
O Homem, que viveu e morreu na incerteza
  
(João M. Grazina  "Jodro")

Na dúvida...



O que penso?!

 

O que penso, perguntas tu.
Mas quem és tu, 
Que me perguntas o que penso?!
Em reflexões me adenso
Por pensar 
Que não sei quem é
Aquele que me pergunta
O que penso.
Mas como responder,
Satisfazer tua curiosidade,
Se com a idade,
Eu mesmo já não acredito
Naquilo em que penso?!

(Manuel Palhares)
(Beira – Moçambique)
*****
PS: Clique no nome do poema para ver a origem do mesmo.

Recordando...

Nara Lofego Leão Diegues 
(Vitória, 19 de janeiro de 1942 — Rio de Janeiro, 7 de junho de 1989) 


Num tema que me diz muito...


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Esperando e constatando a ausência...



O silêncio

Há silêncios que condenam.
Há silêncios que constroem.
Há aqueles que acrescentam.
Há também os que nos doem.

Há alguns que são covardes;
Há-os heróicos também.
Há os que geram verdades,
Há os que lembram alguém.

Teus silêncios me fascinam
Com segredos murmurados,
Que rugem dentro de mim;

Teus silêncios me dominam
Os sentidos condenados
A amar-te sem ter fim.

(Rodolfo R. Barcellos)


domingo, 5 de junho de 2011

Uma ode para domingo...

Num novo dia que desperta


sábado, 4 de junho de 2011

Recordando...

Raúl José Aires Corte Peres Cruz 
Angola1933 - 4 de Junho de 2006Portugal),

Fragilidade..



Sentindo-te pequena,
No meu regaço,
sem qualquer pena,
que aquele abraço,
nem me deixe ver
tudo o que faço,
e me arrepender
do que desfaço.
...
E adormecer...
Do meu cansaço.


*****

sexta-feira, 3 de junho de 2011

"O silêncio"


Se houver alguém
que diga que pintou o silêncio,
ou mentiu
ou anda iludido.
Se isso pensou,
até iludido estava
de que era pintor.
Nem mesmo os gritos
se podem pintar.
Apenas a cor do grito,
que buscou aflito,
na paleta dos desejos.
Calou os ensejos
porque a tela não gritou,
até que a morte o levou.
...
Aí... houve choro,
houve gritos,
e dos seus quadros calados,
sentiram-se gemidos dilacerados.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Ação de conciencialização...



Olho por olho e o mundo acabará cego.
(Mahatma Gandhi)

Mesmo sem ser "olho por olho",
o Mundo está a ficar mesmo cego.
Ou fazem com que não veja,
ou só vê aquilo que quer,
Ou não vê porque não quer.
...
Ou tudo aquilo
que mais lhe convier!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sempre... "Até amanhã"




Amanhã é sempre longe de mais

Pela janela mal fechada
Entra já a luz do dia
Morre a sombra desejada
Numa esperança fugidia

Foi uma noite sem sono
Entre saliva e suor
Com um travo de abandono
E gosto a outro sabor

Dizes-me até amanhã
Que tem de ser que te vais
Só que amanhã sabes bem
É sempre longe demais
Acendo mais um cigarro
Invento mil ideais
Só que amanhã sei-o bem
É sempre longe demais

Pela janela mal fechada
Chega a hora do cansaço
Vai-se o tempo desfiando
Em anéis de fumo baço

Dia da Criança...



Hoje poderia apresentar um texto meu a propósito deste dia.
Mas resolvi dar crédito a um amigo, num texto expressivo
que ele escreveu no ano passado.
*****




Um Feliz Dia das Crianças para os adultos
E possam lembrar hoje (e sempre)
Que foram crianças um dia
Correram atrás de bola
De pipa
Brincaram de polícia e ladrão
Pique esconde
Casinha
De boneca
Pêra uva, maçã ou salada mista
A escola do bairro
Os cinemas nas tardes de domingo
Passeios na praça
Namoros de paixões intensas (de durabilidade efêmera)
As danças nos muitos bailes
A primeira vez no sexo
A cerveja que amargou
Cigarro dividido
Os beijos em várias bocas
A rebeldia
A vontade de mudar o mundo
O emprego
Amadurecimento
Casamento
Filhos
Netos
Crianças outra vez.
***** 
PS: Clique no nome do poema para ver a origem do mesmo.

domingo, 29 de maio de 2011

Despedida?

Júlio Iglésias no Pavilhão Atlântico.
Quarenta anos de carreira. Tournée anual.
Com todo o cheiro de despedida.
Na verdade, a apresentação de ontem parecia mesmo isso.
Em boa verdade, acho que assim deveria ser.
Os anos passam para todos e o espetáculo de ontem 
demonstrou-o bem.
Já há uma certa falta de amplitude na voz, alguns floreados 
para corrigir, o não conseguir chegar a certos tons, o 
incentivar as pessoas a cantarem as melodias conhecidas, 
tudo num tom mais intimista, que o público colaborou e 
gostou, apesar de algumas vozes barulhentas, jocosas,
 a fazer interromper esse momento suave.
No fundo, o concerto foi bom. Quase todo numa língua 
diferente, num "portunhol-galaico-duriense", percorrendo 
as diversas épocas do cantor, sem o brilho e o aparato de 
antigamente, mas que anuncia a necessidade de que o 
cantor se retire da vida artística, enquanto ainda atua 
com uma certa dignidade, oferecendo um espetáculo 
razoável.
Um momento em que recordou Amália e Luciano Pavaroti 
para dar sequência a uma peça de grande valor e 
bem esforçada  e com uma forte ovação - "Caruso". 
Outro momento intimista foi a versão em português de 
"You're always in my mind", cantada em "sotto voce"
numa surdina bem sentida e igualmente cantada pelo público.
Pela primeira vez, os dois filhos mais velhos do atual 
casamento, vieram ao palco dizer um "gracias" ao público. 


Mas, no sentido de recordar a vida passada, deveria ter 
cantado a melodia que se segue, mas não o fez. 
Nem tudo foi bom mas, como sempre, encantou. 
Boa despedida Júlio. Até sempre!


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Vivendo com ...



A recordação...

Adormecida, mas não morta. 

Nem esquecida...
Apenas em "cura de sono", à espera de ser desperta.
Passam-se os dias, os meses, os anos, de quando em 
quando recordando, sem pena nem piedade. 
Não faço caridadezinha comigo próprio. 
Apenas contraponto!
Uma oposição suave às reminiscências do passado 
(ou passados, porque e gente vive e revive muitas vezes).
Por vezes passo para o papel tudo aquilo que quero esquecer. 
Deito o papel na fornalha para virar cinza. 

Mas o fogo que o faz arder, é muito mais fogo em mim, 

eu dou por mim  com lembranças mais quentes, 

mais próximas, mais próprias, 

que não há nada que as faça apagar.

Viraram lava de vulcão à espera de sair 
pela primeira chaminé que encontrem, 
ardente, vaporosa, sulfurosa, cáustica e atormentadora.
E assim, causticadas e tormentosas, 
as minhas recordações 
ficam novamente à espera 

que o magma que existe em mim 
aqueça 

ao ponto de explosão, 
sem notícia prévia ou previsão.

Uma vez mais o "meu" Vesúvio irá engolir Pompeia.
Assim, sempre e mais, uma nova epopeia.



quinta-feira, 26 de maio de 2011

"Sonho de uma noite de verão"



Surpresa ou imprevisto!
Sequencialmente o despertar 
de sensações de dedos, 
sem medos,
caminheiros corporais, 
mapeando ilusões, 
as seduções e todo 
um caminho a percorrer, 
sempre a descer,  
até exauridamente chegar ao auge, 
do cruzamento da esperança, 
no anseio desejante, 
exultante, ofegante.
Mas ao mesmo tempo, reprimente,
como se o imprevisto fosse apenas 
a situação de ali estar.
No sítio errado, à hora errada.
Um crime libidinoso perfeito, 
sem culpa, nem mágoa, 
na calada da noite, ali na orla da àgua. 
...
Molhemo-nos então, 
resfriando e refreando 
sensaçoes e emoções.