Há doze anos o "samba" ficou mais "triste"...
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
De coração despido...
faz com o coração
o contrário do que fazes com o corpo:
despe-o.
Quanto mais nu,
mais ele encontrará
o único agasalho possível:
um outro coração"
(Mia Couto, in A Chuva Pasmada)
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O homem que plantava árvores...
Nesta minha vida, de certo modo já avançada e com
algumas lacunas,
tenho me esquecido de resolver uma delas:
***** PLANTAR AS MINHAS ÁRVORES *****
########## ##########
de filme curto de animação, é um tributo ao trabalho árduo e à paciência.
Conta a história de um homem bom e simples, um pastor que,
em total sintonia com a natureza, faz crescer uma floresta onde
antes era uma região árida e inóspita.
As sementes por ele plantadas representam a esperança de que
podemos deixar para trás um mundo mais belo e promissor do que
aquele que herdamos.
sábado, 22 de setembro de 2012
Um santo casamenteiro...
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| (S. Gonçalo de Amarante) |
Rapariga solteira que venha às festas de São Gonçalo e não entre na igreja para puxar no cordão do santo corre o risco de nunca casar!
*****
«Há bem poucos dias, o sacristão da Igreja de São Gonçalo, o nosso Manuel, triste e desapontado, dava-me conta de que um certo devoto, em desespero de causa, puxou a corda do São Gonçalo, com tal veemência, que o arrastou do seu pedestal para o chão… São Gonçalo até pode dar-nos um jeitinho, na superação do instinto até à elevação do amor, se em vez da força ousarmos um pouco mais de imaginação.»
*****
S. Gonçalo de Amarante é popularmente conhecido como casamenteiro das velhas. De um protesto da juventude nortenha que se julga preterida por este santo, nasceu a seguinte quadra popular:
S. Gonçalo de Amarante,
Casamenteiro das velhas,
Porque não casas as novas?
Que mal te fizeram elas?
Contemos agora a lenda que tanto o popularizou. Aqui
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Nos outonos da vida...
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| (Imagem: Google) |
À espera de um Outono
Há uma fenda aberta neste coração doente
Que o faz definhar como um Sol poente
Vagarosamente, dolorosamente ...
Que o faz definhar como um Sol poente
Vagarosamente, dolorosamente ...
Há pedaços espalhados para todos os lados
Busco constantemente minh' alma em meio aos resquícios
Perdida , abandonada , fria ...
Não há um sonho de amor que inebria
Busco constantemente minh' alma em meio aos resquícios
Perdida , abandonada , fria ...
Não há um sonho de amor que inebria
Esse triste ser , solitário,descrente ,
ferido
São tantos os fardos cruéis que o têm coagido
Que ele perdeu sua essência com o vento a carregar poeira
Talvez não haja mais ser no mundo que ainda o queira
São tantos os fardos cruéis que o têm coagido
Que ele perdeu sua essência com o vento a carregar poeira
Talvez não haja mais ser no mundo que ainda o queira
Esse buraco negro que espatifa o âmago
Reverte sonhos em pesadelos
Embrulha o estomago
Ah se houvesse meio de desfazê-lo !
Reverte sonhos em pesadelos
Embrulha o estomago
Ah se houvesse meio de desfazê-lo !
Tantos males , tantas decepções ...
Um coração que pulsava entra em coma outra vez
Onde um inverno sombrio engole os verões
E primaveras que o floriram em um conto de "Era uma vez"
Um coração que pulsava entra em coma outra vez
Onde um inverno sombrio engole os verões
E primaveras que o floriram em um conto de "Era uma vez"
A esperança fraca se encontra lá ...
Quando as primeiras folhas de outono caírem
O coração sequelado esperando ficará
Seus males e traumas partirem .
Quando as primeiras folhas de outono caírem
O coração sequelado esperando ficará
Seus males e traumas partirem .
Junto as folhas secas jazidas no
chão
O amor antigo finado permanecerá e então
Um novo há de surgir para a salvação
De um já tão machucado e amargurado coração.
O amor antigo finado permanecerá e então
Um novo há de surgir para a salvação
De um já tão machucado e amargurado coração.
Se ainda acredito que esse outono é a cura da
alma
Ainda tenho forças para manter a fraca calma
O fim há de chegar sem me derrubar tão bruscamente
E coragem terei para seguir em frente.
Ainda tenho forças para manter a fraca calma
O fim há de chegar sem me derrubar tão bruscamente
E coragem terei para seguir em frente.
Este desfecho que tarda já é tão
evidente ...
Ah, minha estação da cura, devo esperar a tua chegada
Sei que um dia , quando tu partires, haverá outra primavera amada.
Ah, minha estação da cura, devo esperar a tua chegada
Sei que um dia , quando tu partires, haverá outra primavera amada.
Ah coração , talvez não estejas tão mal
quanto pareças.
Uma vez magoado , com essa ferida estás acostumado
Logo, é só permitir que não te esqueças
Que qualquer fardo pode e será superado .
Uma vez magoado , com essa ferida estás acostumado
Logo, é só permitir que não te esqueças
Que qualquer fardo pode e será superado .
O outono , sim ... O outono virá
ampará-lo !
(Luciana Cascardo - Outº 2010)quinta-feira, 20 de setembro de 2012
É preciso...
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| (Imagem: Outonos) |
"Eu
preciso muito deixar acontecer o momento da renovação,
trocar de pele, mudar de
cor.
Tenho
sentido necessidades do novo, não importa o quê,
mas que seja novo, nem que
sejam os problemas.
Preciso
deixar a casa vazia para receber a nova mobília.
Fazer a
faxina da mente, da alma, do corpo e do coração.
Demolir as ruínas e construir qualquer coisa nova, quem sabe um castelo.”
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Necessidades... cada vez mais; Liberdade... muito pouca.
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| (Imagem: Derek Lea) |
AGORA ESCREVO (excerto)
[...]
E o amor,
Não o que destrói, o que não é amor,
Não a fúria dos corpos quando trocam
Desespero por desespero,
Não a suprema tristeza de existir,
A obscena arte de viver,
A ciência de não dar e receber,
Mas o amor que se traduz
Pela bondade, a confiança,
A pureza, a fraternidade,
A força de viver, de triunfar da morte,
De triunfar da sorte,
A vertigem de conhecer
Necessidade e liberdade!
[...]
ALEXANDRE O'NEILL, in NO REINO DA DINAMARCA (1958), in POESIAS COMPLETAS 1951/1986 (INCM, 3ª ed. , 1995)
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Orgulhosamente sós...
Difícil
......Difícil
, mas necessito !......
......É difícil, muito difícil,
Eu preciso aprender a Amar!
Eu preciso aprender a escutar, escutar
com os olhos e ouvidos,
Escutar com os olhos da'lma e
com todos os meus sentidos;
Ouvir, quando o meu coração
me diz que necessito amar,
cada dia mais !
Deixar de lado
minha solidão disfarçada e
minha insegurança disciplinada.
O Amor, perdoa;
Lança fora as mágoas,
Faz nascer a esperança.
Tenho que colocar de lado
meus rancores, meu orgulho,
- minha ambição ......É difícil, muito difícil,
Eu preciso aprender a Amar!
Eu preciso aprender a escutar, escutar
com os olhos e ouvidos,
Escutar com os olhos da'lma e
com todos os meus sentidos;
Ouvir, quando o meu coração
me diz que necessito amar,
cada dia mais !
Deixar de lado
minha solidão disfarçada e
minha insegurança disciplinada.
O Amor, perdoa;
Lança fora as mágoas,
Faz nascer a esperança.
Tenho que colocar de lado
meus rancores, meu orgulho,
e tudo que possa impedir-me de desejar
a Felicidade do Meu Próximo
(Neyse Fernandes)
*****
"Todos
vivemos sob o mesmo céu, mas ninguém tem o mesmo horizonte! "
( Konrad Adenauer )
( Konrad Adenauer )
sábado, 15 de setembro de 2012
Proibido proibir...
É Proibido
É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.
(Desconheço autor)
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Nunca é tarde...
Aprende que, com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
E você aprende que realmente pode suportar...
que realmente é forte,
e que pode ir muito mais longe
depois de pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida.
(William Shakespeare)
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Frente Atlântica...
Eu
te respiro na luz imprecisa deste mar
na
lâmina deste céu turvo e espantado
porque
estou todo em rumor de abismo
e
me esgarço em tuas sementes e novelos
e
o tempo e o fuso e o limiar e a fortuna
se
acirram na quimera frágil do teu nome
p.s.
“Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo”
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Recomeçar...
REINVENTANDO-ME
A Ricardo Ghelman
Como a ave mitológica,
cada dia renasço
das próprias cinzas.
Reinvento o calendário
para rea(s)cender a minha vida.
Velho dilema:
se cruzo os braços, fracasso;
se avanço o semáforo, desapareço.
Mas não sei se continuo
como Sísifo sem sua
doida roda-viva:;
ora pedra sobre os escombros
de mim mesmo,
ora aclive ressuscitado
em constante desafio.
Não resisto ao amanhã,
mas estou perdido no ontem
enquanto o presente
me sentencia e descaminha.
Enquanto não estendem a ponte
tento fazer a catarse
de um salto dialético impossível.
(Ronaldo Cagiano)
Também eu, gostava de lá voltar um dia...
Recordamos hoje o falecimento de Dr. Agostinho Neto
aos 10 de Setembro de 1979.
"Havemos de voltar"
domingo, 9 de setembro de 2012
Será que este vai ser o “Ano Zero”?
pelo stress cotidiano, ou por aquilo que chamam de estafa.
Depois da rotina mecânica do mundo do trabalho, e do maquinário
da vida prática, a tensão, a fadiga e o esgotamento do meu ser criativo
parecem ter atingido o ápice. O mundo tenta esvaziá-lo.
Ele não quer que você preencha de sentido, a sua própria existência.
O seu trabalho, é fabricar os significados que guiarão os seus propósitos
sem você saber.
E quando você se dá conta, já está numa fila de ovelhas prontas para o abate.
Começo hoje, a desenterrar o que sobrou da minha capacidade de criar.
(Thiago de Assis)
sábado, 8 de setembro de 2012
A vida, cada dia, nos pesa mais...
O fardo
![]() |
| Santo Aleixo, 14 de julho de 2010. (Foto: Nuno Veiga) |
"Não tentes empurrar o atual fardo pela ladeira acima, que....
enroladinho como está, levarte-á aos rebolões até ao fundo"
****
Carrego de manso um fardo
Peso da vida
Peso das ausências
Peso de mim
A cada sol que nasce
O fardo traz com os anos
Mais peso
Mais ausência
Menos vida.
Peso da vida
Peso das ausências
Peso de mim
A cada sol que nasce
O fardo traz com os anos
Mais peso
Mais ausência
Menos vida.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Quem me dera...
Novas emoções
Ah! Quem me dera ser a brisa da manhã
Por várias paragens corre
Em várias paisagens habita
Desperta para uma manhã de inverno
Refresca o calor de um sol de verão
Não se sabe de onde veio
Ou para onde vai
Só sei que sempre caminha em frente
Nunca volta
Mas sei que ela existe e eu a sinto
A brisa de hoje não é a mesma de ontem
E nem será a de amanhã
Cada momento vivido é uma emoção diferente
É uma brisa que nos toca diariamente
E faz a gente esperar por novas emoções.
(Pedro Figueiredo)
Pedaço de uma vida...
NÚ
Nos meus olhos
As lágrimas recuaram!
Na minha boca
As preces se calaram!
Eu vira na minha frente
À luz crua
A vida toda nua!
Não mais pedi
Não mais chorei
Dei o braço à vida
Pus-me a cominhar
E caminhei!
Rogério do Carmo
Mafra, 1954
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Colhido noutro Jardim... Chez George Sand
Embrulhado de vida...
Felizmente, ao lado, da tua existência. Ou infelizmente, porque sei que quererias assim: viver de vida embrulhada.
Dias inteiros de transparência, arrancavam-te gritos de dor.
A cada decisão vacilavas no azul de todo e qualquer lugar.
Nenhum contorno esfumado, na paisagem dos teus sítios, dos teus anseios, dos teus receios. Dos teus amores...
Foste procurar lá, então, onde o céu se desfaz de algodão.
Debruçaste-te perigosamente, entre o passado, de memórias gargalhadas, as lágrimas.E, o que nunca deveria acontecer. E, foi aí, que decidiste encher os os bolsos de nevoeiro. A alma, de nevoeiro. O espanto de nevoeiro.
Nunca mais apareceste.
Se dizias que sim, podia ser a sombra de uma negação.Se dizias que não, podia acontecer que o ar se compactasse de imediato, por cima do teu olhar. E aí...quem poderia adivinhar?
Passarias a caminhar sem pressa e sem destino. Entre os risos, inaudíveis, das nuvens que te rodeavam, nesse abraço cerrado.
Achar-te-ias então assim: sempre e, seguramente, ausente de ti.
(Chez "George Sand")
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