quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Necessidades... cada vez mais; Liberdade... muito pouca.

(Imagem: Derek Lea)

AGORA ESCREVO (excerto)

[...]

E o amor,
Não o que destrói, o que não é amor,
Não a fúria dos corpos quando trocam
Desespero por desespero,
Não a suprema tristeza de existir,
A obscena arte de viver,
A ciência de não dar e receber,
Mas o amor que se traduz
Pela bondade, a confiança,
A pureza, a fraternidade,
A força de viver, de triunfar da morte,
De triunfar da sorte,
A vertigem de conhecer
Necessidade e liberdade!

[...]


ALEXANDRE O'NEILL, in NO REINO DA DINAMARCA (1958), in POESIAS COMPLETAS 1951/1986 (INCM, 3ª ed. , 1995)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Orgulhosamente sós...



Difícil

‎......Difícil , mas necessito !......
......É difícil, muito difícil,
Eu preciso aprender a Amar!
Eu preciso aprender a escutar, escutar
com os olhos e ouvidos,
Escutar com os olhos da'lma e
com todos os meus sentidos;
Ouvir, quando o meu coração
me diz que necessito amar,
cada dia mais !
Deixar de lado 
minha solidão disfarçada e
minha insegurança disciplinada.
O Amor, perdoa;
Lança fora as mágoas,
Faz nascer a esperança.
Tenho que colocar de lado
meus rancores, meu orgulho,
- minha ambição 
e tudo que possa impedir-me de desejar 
a Felicidade do Meu Próximo 

(Neyse Fernandes)

*****

"Todos vivemos sob o mesmo céu, mas ninguém tem o mesmo horizonte! "
( Konrad Adenauer )

sábado, 15 de setembro de 2012

Se não fôr à luta... você merece...

Cá ... como lá:

Proibido proibir...




É Proibido

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.
É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos
Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,
Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,
Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,
Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,
Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,
Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,
Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.


(Desconheço autor)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Nunca é tarde...



Aprende que, com a mesma severidade com que julga, 
você será em algum momento condenado. 
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. 
E você aprende que realmente pode suportar... 
que realmente é forte, 
e que pode ir muito mais longe 
depois de pensar que não se pode mais. 
E que realmente a vida tem valor 
e que você tem valor diante da vida.

(William Shakespeare)




terça-feira, 11 de setembro de 2012

Frente Atlântica...



Eu te respiro na luz imprecisa deste mar
na lâmina deste céu turvo e espantado
porque estou todo em rumor de abismo
e me esgarço em tuas sementes e novelos
e o tempo e o fuso e o limiar e a fortuna
se acirram na quimera frágil do teu nome

p.s. “Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo” 

(Assis Freitas)

E se... de repente


"E, de repente, alguém te encontra.
  E te reencontra.
  Te reinventa.
  Te reencanta.
  Te recomeça.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Recomeçar...


REINVENTANDO-ME
A Ricardo Ghelman

Como a ave mitológica,
cada dia renasço
das próprias cinzas.
Reinvento o calendário
para rea(s)cender a minha vida.
Velho dilema:
se cruzo os braços, fracasso;
se avanço o semáforo, desapareço.

Mas não sei se continuo
como Sísifo sem sua
doida roda-viva:;
ora pedra sobre os escombros
de mim mesmo,
ora aclive ressuscitado
em constante desafio.
Não resisto ao amanhã,
mas estou perdido no ontem
enquanto o presente
me sentencia e descaminha.

Enquanto não estendem a ponte
tento fazer a catarse
de um salto dialético impossível. 
(Ronaldo Cagiano)

Também eu, gostava de lá voltar um dia...


Recordamos hoje o falecimento de Dr. Agostinho Neto
aos 10 de Setembro de 1979.

"Havemos de voltar"

domingo, 9 de setembro de 2012

Será que este vai ser o “Ano Zero”?




Talvez minha criatividade esteja lá dentro, soterrada pelo cansaço,
 pelo stress cotidiano, ou por aquilo que chamam de estafa.
Depois da rotina mecânica do mundo do trabalho, e do maquinário 
da vida prática, a tensão, a fadiga e o esgotamento do meu ser criativo 
parecem ter atingido o ápice. O mundo tenta esvaziá-lo.
Ele não quer que você preencha de sentido, a sua própria existência. 
O seu trabalho, é fabricar os significados que guiarão os seus propósitos 
sem você saber. 
E quando você se dá conta, já está numa fila de ovelhas prontas para o abate. 
Começo hoje, a desenterrar o que sobrou da minha capacidade de criar.  

(Thiago de Assis) 

sábado, 8 de setembro de 2012

A vida, cada dia, nos pesa mais...

O fardo


Santo Aleixo, 14 de julho de 2010. (Foto: Nuno Veiga)
"Não tentes empurrar o atual fardo pela ladeira acima, que....
  enroladinho como está, levarte-á aos rebolões até ao fundo"

****
Carrego de manso um fardo
Peso da vida
Peso das ausências
Peso de mim
A cada sol que nasce
O fardo traz com os anos
Mais peso
Mais ausência
Menos vida.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Quem me dera...


Novas emoções

Ah! Quem me dera ser a brisa da manhã
Por várias paragens corre
Em várias paisagens habita
Desperta para uma manhã de inverno
Refresca o calor de um sol de verão
Não se sabe de onde veio
Ou para onde vai
Só sei que sempre caminha em frente
Nunca volta
Mas sei que ela existe e eu a sinto
A brisa de hoje não é a mesma de ontem
E nem será a de amanhã
Cada momento vivido é uma emoção diferente
É uma brisa que nos toca diariamente
E faz a gente esperar por novas emoções.

(Pedro Figueiredo)

Pedaço de uma vida...





Nos meus olhos
As lágrimas recuaram!

Na minha boca
As preces se calaram!

Eu vira na minha frente
À luz crua
A vida toda nua!

Não mais pedi
Não mais chorei
Dei o braço à vida
Pus-me a cominhar
E caminhei!



Rogério do Carmo
Mafra, 1954

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Colhido noutro Jardim... Chez George Sand



Embrulhado de vida...

Só elas, navegantes de infinitos, tinham o poder de te embrulhar a vida. E passavam, tantas vezes e, tão rapidamente, ao largo da tua existência.
Felizmente, ao lado, da tua existência. Ou infelizmente, porque sei que quererias assim:  viver de vida embrulhada.
Dias inteiros de transparência, arrancavam-te gritos de dor.
A cada decisão vacilavas no azul de todo e qualquer lugar.
Nenhum contorno esfumado, na paisagem dos teus sítios, dos teus anseios, dos teus receios. Dos teus amores...
Foste procurar lá, então, onde o céu se desfaz de algodão.
Debruçaste-te perigosamente, entre o passado, de memórias gargalhadas, as  lágrimas.E,  o que nunca  deveria acontecer. E,  foi aí,  que decidiste encher os os bolsos de nevoeiro. A alma, de nevoeiro.  O espanto de nevoeiro.
Nunca mais apareceste.
Se dizias que sim, podia ser a sombra de uma negação.Se dizias que não, podia acontecer que o ar se compactasse  de imediato, por cima do teu olhar. E aí...quem poderia adivinhar?
Passarias a caminhar sem pressa e sem destino. Entre os  risos, inaudíveis, das nuvens que te rodeavam,  nesse abraço cerrado.
Achar-te-ias então assim: sempre e, seguramente,  ausente de ti. 


(Chez "George Sand")


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Atração fatal...


(Imagem Google)

A NASA informou que um asteróide enorme se aproxima da Terra.
Tem proporções gigantescas e foi-lhe dado o nome “Populus”.
Pelas análise do trajeto, a zona do impacto situa-se nas coordenadas
 (Latitude –  38º 42' 44" N; Longitude – 9º 9' 12" W). Após verificação, 
o mesmo segue em direção à Assembleia da Republica Portuguesa,
e estima-se que cairá em dia de sessão plenária com presença de
todo o Governo Português.
Acreditado cientista justifica que deverá ser uma atração maléfica 
que originou este desvio do corpo celeste.
...
Que, após tanta desgovernação e leis impróprias, este fenómeno é, 

tão somente, um processo de resolução da crise e da aberração das
imposições da troika.
Que Deus tenha misericórdia dos deputados e dos membros do Governo!
...
Mas... que eles o merecem, merecem!!! E ainda é pouco!!!





 “QUEM TEM TELHADOS DE VIDRO... 
   não deve atirar tanta pedrada no Povo”

Trágica ironia do destino...



Depois de cinco anos rodando o mundo, casal morre no próprio país.

O casal viajou pela Ásia, Europa, América do Sul, Oriente Médio e morreu na Suíca após serem atingidos por um trem


Após dar uma volta ao mundo, passando pela Ásia, Europa, América do Sul e Oriente Médio, Daniela Weiss e Daniel Oetler, ambos com 38 anos, morreram ao serem atingidos por um trem na cidade onde moravam, em Granichen na Suíça. O acidente aconteceu dois dias depois de retornarem ao país, depois de cinco anos passeando por diversos destinos.
Segundo o jornal 'Daily Mail', Daniel faleceu na mesma hora com o impacto, a sua companheira Daniela chegou a ser socorrida mas não resistiu. A viagem foi interrompida porque Daniela teve um dente infeccionado e decidiu voltar para Suíça para realizar um tratamento.





..........
Paz às suas almas.

“Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida
...e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer.”

(Clarice Lispector)

domingo, 2 de setembro de 2012

Ballet cantado...

Hoje estou infantil... faço ballet com as palavras...


Balé
Palavra Cantada

Pisar no chão com a ponta do pé
Tocar o céu com a palma da mão
Manter ereta a postura
Amolecer a cintura
Balé precisa de dedicação

O bê-a-bá é pas de bourrée
Depois vem o pas de deux, dois plier
Nasci pra ser bailarina
É só por a sapatilha
Já sinto bater o meu coração

Papai um dia me deu um conselho
Treinar sozinha na frente do espelho
Às vezes sonho que estou dando um salto
E caio bem no meio de um palco

Tocar o céu com a ponta do pé
Pisar no chão com a palma da mão
Com longos alongamentos
O corpo é um instrumento
Balé precisa de dedicação






   

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Lembrando uma poetisa amiga...




“Desenhando”

Quero escrever as tuas dores,
desenhar a tua solidão. 
Rabiscar tuas angústias, usar as tuas lágrimas 
e preencher o imenso vazio 
estampado nestas folhas frias. 


Quero abrir as letras fechadas, 
sufocadas em teu coração e ouvi-las calmamente. 
Quero vê-las feliz se aproximando, sorrindo, chorando... 


Quero vida nascendo nestas confusas formas, 
que ora leves, ora fortes pousam
 inconseqüentes num lugar qualquer. 


Quero as tuas dores, angústias, solidão, 
lágrimas transformadas num imenso desenho vivo 
com todos os vazios preenchidos 
e devolver-te o prazer de sorrir. 


E assim, vou desenhando, 
reinventado uma forma de me fazer feliz... 

(Maria Flor)

»» http://rabiscosescritoalapis.blogspot.pt 
»»http://www.facebook.com/mflor3 

Em alguma parte fui vida...

Em alguma vida fui ave

Guardo memória
de paisagens espraiadas
e de escarpas em vôo rasante.
E sinto em meus pés
o consolo de um pouso soberano
na mais alta copa da floresta.

Liga-me à terra
uma nuvem e seu desleixo de brancura.
Vivo a golpes
com coração de asa
e tombo como um relâmpago
faminto de terra.

Guardo a pluma
que resta dentro do peito
como um homem guarda o seu nome
no travesseiro do tempo.

Em alguma ave fui vida.


(Mia Couto)


*******
Por isso... há que reinventar!!!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Leis da vida...




Essa lembrança que nos vem às vezes…
folha súbita
que tomba
abrindo na memória a flor silenciosa
de mil e uma pétalas concêntricas…
Essa lembrança…mas de onde? de quem?
Essa lembrança talvez nem seja nossa,
mas de alguém que, pensando em nós, só possa
mandar um eco do seu pensamento
nessa mensagem pelos céus perdida…
Ai! Tão perdida
que nem se possa saber mais de quem!


(Mário Quintana)