A cor da terra
onde se reflecte a cor da terra
fenecem as asas da liberdade
num prelúdio gemente
de cordas soltas e gastas
em mãos enclausuradas
no aconchego do passado.
Num horizonte embuçado de nuvens
onde o mar se perfuma da própria maresia
há um declínio liberto no cerrado da noite
um vagido silencioso na voz da madrugada
um desfraldar gélido de um vento vigil
que antecede a derradeira morada.
E num leito de secas pétalas
jaz moribunda a primavera
na mente perdida no ermo do nada
(Liliana Jardim)








