segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Dor de Mãe...



Da vastidão dos céus à vastidão do mar.
Em ambos, há ir e voltar.
Com segurança,
Sem demorar.
Mesmo que seja num triste regressar.
Duma dor tão profunda.
Tão profunda como o mar.
Há ir e voltar, oh mar, oh mar.
Do muito te amar,
Não te quero odiar.
Devolve-me o que aí jaz,
Para que possa ter paz.
E ainda assim,
Te continuar a  amar.
Oh mar! Oh mar!





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Este post deriva do comentário por mim feito a um post  no "De profundis"
Clique aqui para ver a história real que originou esta minha postagem.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Eis a questão?

2011?



Entrámos o Ano de 2011, desejando Felicidades e tudo do melhor.
Mas, neste poema de há mais de trinta anos do actual Presidente
de Moçambique, se reflete a mesma pergunta e, passados 35 anos
de Independência, vê-se que pouco mudou e que tudo ainda está
muito difícil. Lá, como em qualquer parte!
*****
SE ME PERGUNTARES


Se me perguntares
Quem sou eu
Cavada de bexiga de maldade
Com um sorriso sinistro
Nada te direi
Nada te direi
Mostrar-te-ei as cicatrizes de séculos
Que sulcam as minhas costas negras
Olhar-te-ei com olhos de ódio
Vermelhos de sangue vertido durante séculos
Mostrar-te-ei minha palhota de capim
A cair sem reparação
Levar-te-ei às plantações
Onde sol a sol
Me encontro dobrado sobre o solo
Enquanto trabalho árduo
Mastiga meu tempo
Levar-te-ei aos campos cheios de gente
Onde gente respira miséria em toda a hora
Nada te direi
Mostrar-te-ei somente isto
E depois
Mostrar-te-ei os corpos do meu Povo
Tombados por metralhadoras traiçoeiras,
Palhotas queimadas por gente tua
Nada te direi
E saberás porque luto.

(Armando Guebuza)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

De vez em quando...

Assombram-me as reminiscências...


Esquecimento

Esse de quem eu era e que era meu,
E foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.

Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tacteio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!

Descem em mim poentes de Novembro...
A sombra dos meus olhos, a escurecer...
Veste de roxo e negro os crisântemos...

E desde que era meu já me não lembro...
Ah! a doce agonia de esquecer
A lembrar doidamente o que esquecemos!...

(Florbela Espanca)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Icário...


Alguém assim escreveu:


E se eu fugisse?...
...

Sonhos imperfeitos!
Desses, por vezes tenho muitos.
Na maioria das vezes são manietados pelo próprio sentir. 
Não passam de um "se?".
Quão frágil é sentir-se que só se está bem onde não se está, 
que entre o voar e partir há um golpe de asa necessário, que, 
apesar a idade, ainda esboçamos os primeiros vôos, 
como cria ainda no ninho.
...
Talvez queira fugir, mas sem asas de cera. 
Não voaria longe. 
Meu chão é aqui. 
Meu céu seria vasto demais, 
para a minha falta de sentido de orientação.
Seria ave perdida, sem ninho, sem chão. 
E talvez sem grão e...
aí definharia.



****
Clique em E se eu fugisse?" para ver o post que deu origem a este.

Divã em festa...

Festa no "Divã"
Divã em festa... não quer dizer que "vai haver festa no divâ".
Isso seria  "exagerar"!
....
Quero apenas parabenizar o blogue inscrito no selinho pelo seu
2º aniversário. Pois eu só há alguns dias (3 de Janº) é que entrei
nele e já me encontro perfeitamente às ordens para deitar no
"Divã" e ser escalpelizado tão minuciosamente que não fique
nenhum "pontinho" que não venha a ser conhecido.
BEM HAJA,  Rê, pelas atenções prestadas em tão pouco tempo.
***
A destempo e fora do conceito, todavia lhe deixo uma grande voz do
fado português: ANA MOURA, em "Que foi que aconteceu?"



****
Enfim, algo aconteceu!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Homengem sentida...



PENSAR ALTO

Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar

fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra

mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer

mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor

enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.


MALANGATANA NGWENYA VALENTE

(06.06.1936 - 05.01.2011)


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Notícia sobre o falecimento aqui

Bolsa do Voluntariado

Bolsa do voluntário reforçada em 2011
05 de Janeiro de 2011, 14:07
Em apenas um mês chegaram à bolsa do voluntariado mais de mil novos membros. Este reforço vai ao encontro da convicção de Isabel Jonet de que, em tempos de crise, as pessoas “cerram fileiras” e se tornam, regra geral, mais solidárias.
A Bolsa do Voluntariado renovou o seu site no passado mês de Dezembro e, desde então, chegaram à instituição 1500 novos voluntários. Juntam-se, assim, às mais de 16 mil pessoas que dispõem do seu tempo e competências para ajudar os outros.
Pedro Ferraz, responsável pela plataforma, disse em entrevista ao Jornal I que a ideia é “fazer a ponte entre quem quer dar e quem precisa de receber”. Além disso, refere o mesmo, algumas pessoas desempregas ou reformadas encontram no voluntariado uma forma de se manterem ocupadas.
Isabel Jonet, Presidente da Entrajuda (associação que desenvolveu e gere o site), reconheceu ao SAPO que os pedidos de ajuda aumentaram nos últimos meses de 2010. Actualmente, estão inscritas no site 930 instituições.
A principal diferença está na natureza das solicitações. Segundo a presidente da associação, as organizações procuram, cada vez mais, voluntários cujas competências permitam uma melhor gestão e tragam ganhos de eficiência. 
Diversificar e Inovar
Uma das mais-valias da Bolsa é permitir que cada um se inscreva como voluntário na área com que mais se identifica. Cultura, ambiente e protecção dos animais são algumas das áreas disponíveis. Segundo o jornal diário I, até a Secretaria-Geral do Ministério do Ambiente já recorreu á Bolsa.
Existe igualmente a possibilidade de as empresas se inscreverem e participarem em projectos sociais. Para Isabel Jonet este tipo de envolvimento “potencia muito os resultados” de uma acção.
A nova aparência do site da Bolsa do Voluntariado é apenas um passo para um projecto que se prepara para os novos tempos. A instituição mantém, também, uma página na rede social Facebook, onde vai actualizando informações.
Naturalmente, como referiu Isabel Jonet ao SAPO, pelos meios electrónicos chegam à Entrajuda voluntários mais jovens. No entanto, a associação não faz qualquer distinção de género ou idade. Para a Bolsa o importante é que as pessoas cheguem empenhadas no trabalho voluntário.
O desenvolvimento do site esteve a cargo de uma equipa do SAPO Emprego e teve o apoio da Portugal Telecom e da CGD. Esta renovação procurou preparar a plataforma para 2011 - “Ano Europeu do Voluntariado e da Cidadania Activa”.
@ Inês Fernandes Alves


Bolsa do Voluntariado

Lá... como cá!

Intercâmbio... com intercâmbio se paga
Ontem ao ver um post no "Passeando pelo Cotidiano" li um texto 
com vídeo de um dueto entre António Zambujo (português) e 
Roberta Sá (brasileira), facto que me agradou imenso.
Agora faço lembrar outro dueto com Martinho da Vila e 
Kátia Guerreiro, esta outra grande voz do nosso Fado.





Há que saber Dar e sobretudo ... saber Receber!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Você...

Siga ... a sua verdade.
Siga a verdade interior que te faz vibrar positivamente. 
Que te dá sincera alegria apesar das tristezas e dificuldades. 
Que não está, em essência, atrelada a bens transitórios e, 
portanto, não te tira o sono porque poderias perdê-las. 
Que te entusiasma e te surpreende, inclusive, inúmeras vezes. 
Aquilo que te realiza porque te fez sentir a plenitude 
mesmo que exteriormente cercado de escassez.” 
(J. Campbell)


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Não desperdice...



A vida

A vida é o dia de hoje, 
a vida é ai que mal soa, 
a vida é sombra que foge, 
a vida é nuvem que voa; 
a vida é sonho tão leve 
que se desfaz como a neve 
e como o fumo se esvai: 
A vida dura um momento, 
mais leve que o pensamento, 
a vida leva-a o vento, 
a vida é folha que cai!


A vida é flor na corrente, 
a vida é sopro suave, 
a vida é estrela cadente, 
voa mais leve que a ave: 
Nuvem que o vento nos ares, 
onda que o vento nos mares 
uma após outra lançou, 
a vida – pena caída 
da asa de ave ferida - 
de vale em vale impelida, 
a vida o vento a levou!


(João de Deus)


Moendo a vida...

Alguém usou este "moto"
"A vida é um moinho. Mas eu, não me deixo moer”
*****
Mas... há quem não consiga...



A União Europeia instituiu, em 2011, o Ano Europeu do Voluntariado. A principal razão é incentivar mais cidadãos para o trabalho voluntário. Segundo a Agência Lusa, que cita dados do Eurobarómetro, há actualmente mais de cem milhões de europeus a fazerem voluntariado. O número impressiona, mas ainda assim é insuficiente face à necessidade de cumprir os Objectivos do Milénio.
Por isso, este ano, não arranje desculpas. Escolha uma causa com que se identifique e arregace as mangas. Verá que é como se sacudisse um livro de bolso e as emoções começassem a desprender-se. Na grande maioria dos casos é uma experiência transformadora. Pode acreditar.
(Ana)
*** Clique em "2011, Ano Europeu do Voluntariado" para ver a origem do post

domingo, 2 de janeiro de 2011

Este ano... não prometo.

Mas sei que...
Fazendo jus ao apelido


Vou manter este blogue no mesmo ritmo.
Ativo, amigo, grato e honrando todos aqueles
que tiverem a paciência e a delicadeza de me 
visitarem.
Com coisas importantes para serem feitas e
aplicadas...


***
Para complementar este vídeo... vidé este post

Neste novo ano...

Este é o "moto" de alguém:
"Vamos viver tudo o que há para viver. Vamos nos permitir!"
Assim aproveitemos, e...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nos hemisférios das nossas vidas...



Linha do Equador

Latitude zero.  Linha divisória. O meio do mundo é um lugar imaginário,  mas há um totem na linha do equador e me disseram que aqui eu poderia pisar simultaneamente os dois hemisférios.
Estou em Macapá, literalmente no meio do mundo. O rio amazonas é um gigante com cara de mar que banha esta cidade.
Olhando este rio eu pude perceber, ainda mais, a minha pequenez. 
Mas o dia de hoje é também uma espécie de linha divisória, porque amanhã despertaremos em um novo ano.
Gostaria de agradecer a todos que estiveram aqui e desejar um 2011 bem melhor e pleno em paz.

*****
P.S. - Clique no nome do post "Linha do Equador", 
         para ver a origem do mesmo.
         O marco, na foto, fica em São Tomé e Príncipe 
         (mais propriamente no Ilhéu das Rolas) 

Novo tempo de Esperança




O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manhã, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo, o mesmo tempo de si chora;


O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
  
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grã bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

(Luís de Camões)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Interculturas...

(Imagem retirada do Google)

Poema Mestiço

Escrevo mediterrâneo
Na serena voz do Índico
Sangro norte
Em coração do sul
Na praia do oriente
Sou areia náufraga
De nenhum mundo
Hei-de
Começar mais tarde
Por ora
Sou a pegada
Do passo por acontecer

 Mia Couto (escritor moçambicano)

FELIZ ANO NOVO...

Aceite esta receita


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Quem não lembra?!

Alguém ao inserir este post fez-me recordar
esta balada do Rui Veloso


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

As aparências iludem...

Nem tudo são "rosas" 
neste reino (socialista) 
à beira mar plantado



PORTUGAL, UMA PRAÇA PARA O MUNDO from Anze Persin on Vimeo.

Este filme, apesar de estar bonito de se ver, é antes de mais altamente segregacionista (esta palavra existe?!). Exclui todo o país para além de Lisboa, Porto e um lamirezinho por Guimarães (porque até parecia mal não aparecer, não fosse ele o berço da nação). Por outro lado, segrega tudo o que são dificuldades vividas e sentidas diariamente por uma população cada vez mais empobrecida e encostada à parede por uma classe política desgovernada e sem qualquer sentido de orientação e gestão a não ser para os bolsos deles. Parece que vivemos todos às mil maravilhas, é só praias, desportos radicais, elevado aproveitamento de recursos energéticos ... uma maravilha portanto. Shanghai agora acredita que Portugal é uma nação altamente progressista, na linha a frente do desenvolvimento ... mas pronto, também é nosso hábito viver das aparências, porque não estender a tendência aos filmes que se exibem em Shanghai ... mais a mais, também vivem lá longe e não nos conhecem de lado nenhum a não ser os das lojas de quinquilharia e os da restauração do pato à Pequim ...


Não é que tenhamos de exibir só desgraças e feiuras ... mas há que ser mais realista e não viver no país das maravilhas de Alice como Sócrates gosta tanto de fazer.

( Brama in Lavaflow)

Nota: Filme publicitário exibido em Shangai (China) durante a EXPO 2010: