sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nos hemisférios das nossas vidas...



Linha do Equador

Latitude zero.  Linha divisória. O meio do mundo é um lugar imaginário,  mas há um totem na linha do equador e me disseram que aqui eu poderia pisar simultaneamente os dois hemisférios.
Estou em Macapá, literalmente no meio do mundo. O rio amazonas é um gigante com cara de mar que banha esta cidade.
Olhando este rio eu pude perceber, ainda mais, a minha pequenez. 
Mas o dia de hoje é também uma espécie de linha divisória, porque amanhã despertaremos em um novo ano.
Gostaria de agradecer a todos que estiveram aqui e desejar um 2011 bem melhor e pleno em paz.

*****
P.S. - Clique no nome do post "Linha do Equador", 
         para ver a origem do mesmo.
         O marco, na foto, fica em São Tomé e Príncipe 
         (mais propriamente no Ilhéu das Rolas) 

Novo tempo de Esperança




O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manhã, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo, o mesmo tempo de si chora;


O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
  
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grã bonança.

Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.

(Luís de Camões)

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Interculturas...

(Imagem retirada do Google)

Poema Mestiço

Escrevo mediterrâneo
Na serena voz do Índico
Sangro norte
Em coração do sul
Na praia do oriente
Sou areia náufraga
De nenhum mundo
Hei-de
Começar mais tarde
Por ora
Sou a pegada
Do passo por acontecer

 Mia Couto (escritor moçambicano)

FELIZ ANO NOVO...

Aceite esta receita


quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Quem não lembra?!

Alguém ao inserir este post fez-me recordar
esta balada do Rui Veloso


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

As aparências iludem...

Nem tudo são "rosas" 
neste reino (socialista) 
à beira mar plantado



PORTUGAL, UMA PRAÇA PARA O MUNDO from Anze Persin on Vimeo.

Este filme, apesar de estar bonito de se ver, é antes de mais altamente segregacionista (esta palavra existe?!). Exclui todo o país para além de Lisboa, Porto e um lamirezinho por Guimarães (porque até parecia mal não aparecer, não fosse ele o berço da nação). Por outro lado, segrega tudo o que são dificuldades vividas e sentidas diariamente por uma população cada vez mais empobrecida e encostada à parede por uma classe política desgovernada e sem qualquer sentido de orientação e gestão a não ser para os bolsos deles. Parece que vivemos todos às mil maravilhas, é só praias, desportos radicais, elevado aproveitamento de recursos energéticos ... uma maravilha portanto. Shanghai agora acredita que Portugal é uma nação altamente progressista, na linha a frente do desenvolvimento ... mas pronto, também é nosso hábito viver das aparências, porque não estender a tendência aos filmes que se exibem em Shanghai ... mais a mais, também vivem lá longe e não nos conhecem de lado nenhum a não ser os das lojas de quinquilharia e os da restauração do pato à Pequim ...


Não é que tenhamos de exibir só desgraças e feiuras ... mas há que ser mais realista e não viver no país das maravilhas de Alice como Sócrates gosta tanto de fazer.

( Brama in Lavaflow)

Nota: Filme publicitário exibido em Shangai (China) durante a EXPO 2010:

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ouvindo o meu velhinho rádio...



Sim, na nossa fresca e suave juventude, depois da bicicleta, 
o rádio de pilhas.
Bastava ter a frequência certa... e certamente o ouvíamos 

com muita frequência. 
Tanta, que os nossos sonhos foram alimentados pelas letras 

das canções-exito que constantemente eram repetidas ou 
nós procurávamos noutra estação.
Viva (ainda) o rádio de pilhas!
Com "pilhas" de razão.
Sem rádio, a vida não tinha "pilhéria"!



domingo, 26 de dezembro de 2010

Mais um Natal passado...

Remeto-me ao post colocado após o Natal de 2009,  
em que fiquei assim


Este ano, apesar de muito mais calmo,  
mesmo assim, ficámos deste modo


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Poema premiado...



Folha

Eu sou a folha que cai 
Sobre a neve fria das incompreensões.
O verso das canções serenas,
A morte que chega aos corações...

A margem,
A proa,
O barco
Sou parte das pedras, cristais...

O sangue que chora
A morte...
Sou avenidas, faróis
Reflexos
Sou o asfalto,
O negro inverso!

O vento,
A brisa,
Sou as manhãs,
A música,
A nota, 
A dor dos corações...

Os olhos
Os sorrisos
Das crianças, as interrogações...

As gotas de chuva
O grito da terra seca
O inverno
O outono
A primavera eterna!

Sou areia,
Deserto,
Sou o livro sobre a mesa...

A página ao acaso, 
Sou ponto,
Da vírgula, tristeza...

(Márcia Cristina Lio Magalhães)



*****
PS: Nada mal para entrar num Novo Ano!
     Felicidades para o futuro.
     Clique no nome do post "Folha", para ver a origem do mesmo.

A um Deus branco...


Anjos negros

Mãe, nunca vi um anjo negro. Não há anjos negros, mãe?
Todos os anjos são brancos. Não há anjos como eu?
Olha, todas as asas são brancas. Como os anjos que estão no céu.
Mãe, eu nunca vou ter asas? Não há anjos como eu?
Mãe, não há meninos negros entre os anjos.
Onde estão os meninos negros anjos, mãe? 
Mãe onde fica o nosso céu?
Queria ser um anjo, mãe. 
Não posso … Não há anjos como eu.

(Desconheço o/a autor/a).

FELIZ NATAL...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Só com o tempo...




Só o Tempo
Quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Para onde vão os dias ?
Só o tempo

E quem pode dizer se o seu amor crescerá
conforme seu coração escolher ?
Só o tempo

chants

Quem pode dizer porque seu coração suspira
conforme seu amor flutua ?
Só o tempo

E quem pode dizer porque seu coração chora
quando seu amor morre?
Só o tempo

chants

Quem pode dizer quando os caminhos se cruzam
que o amor deve estar
em seu coração ?

E quem pode dizer quando o dia termina
se a noite guarda todo o seu coração ?
se a noite guarda todo o seu coração...

chants

Quem pode dizer se o seu amor crescerá
conforme seu coração quiser ?
Só o tempo

E quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Para onde vão os dias ?
Só o tempo

Quem sabe?
Só o tempo

Quem sabe?
Só o tempo



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"A caminho do meu leito, vagarosamente e, silenciosamente recolhi-me..."
...
Recolhi-me nos meus pensamentos, nas minhas crenças e descrenças, nos meus anseios, nas minhas esperanças.
Porquê para cada coisa má temos que ter "outra em substituição"? Porquê prevalecem as coisas más?
Penso nas luzes, no presépio, nas imagens.
Tomara que as coisas más fossem tão somente imagens irreais, desfocadas e distantes. 

Mas, infelizmente, são pura verdade. 
Para tudo, temos que contrabalançar com sucedâneos, com substituições que nem sempre são verdadeiras oposições e não atinjem o objectivo para que foram criadas. 
Criadas? Não, as coisas más é que foram criadas em contraposição às boas.
Aí revolto-me, enervo-me, viro-me vezes sem conta no meu leito, custo a adormecer.
E repito incessantemente a pergunta:
"Porque é que este Mundo tem que ser assim cruel?".
Depois de muito cansaço, adormeço sem deixar de ter alguns pesadelos desconexos, que atrapalham ainda mais o meu sono e me fazem acordar com o corpo como quem apanhou uma tareia.
Sim, as tareias deste mundo são terríveis!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Recordando e revisitando...




VISITA

Na escassa penumbra da tarde,
sonho.
Vêm me visitar as fadigas do dia,
os defuntos do ano, as lembranças da década,
como uma procissão dos mortos daquela aldeia
perdida lá no horizonte.
Este é o mesmo sol, impregnado de miragens
o mesmo céu que presenças ocultas dissimulam
o mesmo céu temido daqueles que tratam
 
com os que se foram
Eis que a mim vêm os meus mortos.

(Leopold Senghor)
...
Revisitar:   Afro-Incorporado

domingo, 19 de dezembro de 2010

Subjetivo e o objetivo...



“A dor de ter perdido é infinitamente menor do que a dor de não ter tido”.

Um homem sábio uma vez disse: "Você pode ter qualquer coisa nesta vida se sacrificar todas as outras por isso".
...
Tudo é subjectivo!
Não se pode perder, se não se tiver tido.
Só se pode ter, se se desejar ter.
Só se pode perder com dor, se se desejou muito ter.
A dor de não ter tido, apenas faz parte do desejo de se querer ter qualquer coisa em detrimento de outras coisas.
...
Que nada se obtenha com dor!
Que nada se perca com dor!
Será sempre uma dor, enquanto se tem... até que se perca.
...
E eu, que pouco ou nada tenho,
E que muito gostaria ter tido,
Estaria, neste momento, todo cheio de dores

sábado, 18 de dezembro de 2010

Alguém me induziu...

Alguém me disse: "Vem..."
E eu, num comentário, lembrei-me deste poema
de JOSÉ RÉGIO


Imaginação do ano!

Se Jesus nascesse neste século!


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sabores divinos...



**Delicioso o "Sabor do amor",
embora por vezes amargo.** 
...
Esses "criadores de ilusões",
açúcares divinamente naturais,
mel e melaços que saboreio
e de qualquer jeito apimento,
me consomem o total amargo,

todos os males que em mim cargo,
adoçam todo o amor que sinto,
ou julgo sentir.
Que bom ainda ter palato!

Memória de juventude...




BALADA PARA OS POETAS ANDALUZES DE AGORA

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parece que están solos.

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quien mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parece que están solos.

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quien mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

(
Rafael Alberti - Ora marítima, 1953)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010