segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Ouvindo o meu velhinho rádio...



Sim, na nossa fresca e suave juventude, depois da bicicleta, 
o rádio de pilhas.
Bastava ter a frequência certa... e certamente o ouvíamos 

com muita frequência. 
Tanta, que os nossos sonhos foram alimentados pelas letras 

das canções-exito que constantemente eram repetidas ou 
nós procurávamos noutra estação.
Viva (ainda) o rádio de pilhas!
Com "pilhas" de razão.
Sem rádio, a vida não tinha "pilhéria"!



domingo, 26 de dezembro de 2010

Mais um Natal passado...

Remeto-me ao post colocado após o Natal de 2009,  
em que fiquei assim


Este ano, apesar de muito mais calmo,  
mesmo assim, ficámos deste modo


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Poema premiado...



Folha

Eu sou a folha que cai 
Sobre a neve fria das incompreensões.
O verso das canções serenas,
A morte que chega aos corações...

A margem,
A proa,
O barco
Sou parte das pedras, cristais...

O sangue que chora
A morte...
Sou avenidas, faróis
Reflexos
Sou o asfalto,
O negro inverso!

O vento,
A brisa,
Sou as manhãs,
A música,
A nota, 
A dor dos corações...

Os olhos
Os sorrisos
Das crianças, as interrogações...

As gotas de chuva
O grito da terra seca
O inverno
O outono
A primavera eterna!

Sou areia,
Deserto,
Sou o livro sobre a mesa...

A página ao acaso, 
Sou ponto,
Da vírgula, tristeza...

(Márcia Cristina Lio Magalhães)



*****
PS: Nada mal para entrar num Novo Ano!
     Felicidades para o futuro.
     Clique no nome do post "Folha", para ver a origem do mesmo.

A um Deus branco...


Anjos negros

Mãe, nunca vi um anjo negro. Não há anjos negros, mãe?
Todos os anjos são brancos. Não há anjos como eu?
Olha, todas as asas são brancas. Como os anjos que estão no céu.
Mãe, eu nunca vou ter asas? Não há anjos como eu?
Mãe, não há meninos negros entre os anjos.
Onde estão os meninos negros anjos, mãe? 
Mãe onde fica o nosso céu?
Queria ser um anjo, mãe. 
Não posso … Não há anjos como eu.

(Desconheço o/a autor/a).

FELIZ NATAL...

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Só com o tempo...




Só o Tempo
Quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Para onde vão os dias ?
Só o tempo

E quem pode dizer se o seu amor crescerá
conforme seu coração escolher ?
Só o tempo

chants

Quem pode dizer porque seu coração suspira
conforme seu amor flutua ?
Só o tempo

E quem pode dizer porque seu coração chora
quando seu amor morre?
Só o tempo

chants

Quem pode dizer quando os caminhos se cruzam
que o amor deve estar
em seu coração ?

E quem pode dizer quando o dia termina
se a noite guarda todo o seu coração ?
se a noite guarda todo o seu coração...

chants

Quem pode dizer se o seu amor crescerá
conforme seu coração quiser ?
Só o tempo

E quem pode dizer aonde vai a estrada ?
Para onde vão os dias ?
Só o tempo

Quem sabe?
Só o tempo

Quem sabe?
Só o tempo



quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"A caminho do meu leito, vagarosamente e, silenciosamente recolhi-me..."
...
Recolhi-me nos meus pensamentos, nas minhas crenças e descrenças, nos meus anseios, nas minhas esperanças.
Porquê para cada coisa má temos que ter "outra em substituição"? Porquê prevalecem as coisas más?
Penso nas luzes, no presépio, nas imagens.
Tomara que as coisas más fossem tão somente imagens irreais, desfocadas e distantes. 

Mas, infelizmente, são pura verdade. 
Para tudo, temos que contrabalançar com sucedâneos, com substituições que nem sempre são verdadeiras oposições e não atinjem o objectivo para que foram criadas. 
Criadas? Não, as coisas más é que foram criadas em contraposição às boas.
Aí revolto-me, enervo-me, viro-me vezes sem conta no meu leito, custo a adormecer.
E repito incessantemente a pergunta:
"Porque é que este Mundo tem que ser assim cruel?".
Depois de muito cansaço, adormeço sem deixar de ter alguns pesadelos desconexos, que atrapalham ainda mais o meu sono e me fazem acordar com o corpo como quem apanhou uma tareia.
Sim, as tareias deste mundo são terríveis!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Recordando e revisitando...




VISITA

Na escassa penumbra da tarde,
sonho.
Vêm me visitar as fadigas do dia,
os defuntos do ano, as lembranças da década,
como uma procissão dos mortos daquela aldeia
perdida lá no horizonte.
Este é o mesmo sol, impregnado de miragens
o mesmo céu que presenças ocultas dissimulam
o mesmo céu temido daqueles que tratam
 
com os que se foram
Eis que a mim vêm os meus mortos.

(Leopold Senghor)
...
Revisitar:   Afro-Incorporado

domingo, 19 de dezembro de 2010

Subjetivo e o objetivo...



“A dor de ter perdido é infinitamente menor do que a dor de não ter tido”.

Um homem sábio uma vez disse: "Você pode ter qualquer coisa nesta vida se sacrificar todas as outras por isso".
...
Tudo é subjectivo!
Não se pode perder, se não se tiver tido.
Só se pode ter, se se desejar ter.
Só se pode perder com dor, se se desejou muito ter.
A dor de não ter tido, apenas faz parte do desejo de se querer ter qualquer coisa em detrimento de outras coisas.
...
Que nada se obtenha com dor!
Que nada se perca com dor!
Será sempre uma dor, enquanto se tem... até que se perca.
...
E eu, que pouco ou nada tenho,
E que muito gostaria ter tido,
Estaria, neste momento, todo cheio de dores

sábado, 18 de dezembro de 2010

Alguém me induziu...

Alguém me disse: "Vem..."
E eu, num comentário, lembrei-me deste poema
de JOSÉ RÉGIO


Imaginação do ano!

Se Jesus nascesse neste século!


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sabores divinos...



**Delicioso o "Sabor do amor",
embora por vezes amargo.** 
...
Esses "criadores de ilusões",
açúcares divinamente naturais,
mel e melaços que saboreio
e de qualquer jeito apimento,
me consomem o total amargo,

todos os males que em mim cargo,
adoçam todo o amor que sinto,
ou julgo sentir.
Que bom ainda ter palato!

Memória de juventude...




BALADA PARA OS POETAS ANDALUZES DE AGORA

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parece que están solos.

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quien mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?

Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde los hombres?
Con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
Con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?

Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parece que están solos.

¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?

¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
¿Quien mire al corazón sin muros del poeta?
¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?

Cantad alto. Oiréis que oyen otros oídos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.

No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo
encerrado. Su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

(
Rafael Alberti - Ora marítima, 1953)

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Espalhem a boa nova...

Estou desejando a todos ...

Transplantador ?! ... Quem me dera!


Arranja-me um coração

Arranja-me um coração. Pode ter sido já usado e sem serventia para ninguém, eu não me importo, arranja-me um coração por queimar, um que não tenha ido à guerra e não esteja ferido. Arranja-me um coração a estourar de sonhos, um coração leal que não me fuja do peito, pode ter asas de ouro, tão pesadas que não o deixem voar... Arranja-me um coração inteiro, que só saiba bombear o sangue e que não tenha aprendido a doer. Arranja-me um coração sem labirintos, sem poços profundos onde caiam e se afoguem os sonhos... Um músculo forte e robusto, cor de sangue, cor de vida, arranja-me um coração que não queira ser onda do mar, que não se desfaça na espuma dos dias, no veloz escorrer do tempo...

Preciso de um coração...
Ou dá-me então o teu... Quando sinto o teu coração bater nas minhas mãos, percebo que caberia inteiro no vazio do meu peito.
******
Nota:  Encontrei este texto ao folhear os blogues-amigos 
            de uma minha amiga.
           Gostei tanto! Que resolvi inserir no meu blogue.
           Presto-lhe as minhas homenagens, com votos de FELIZ NATAL, 
           e façam o favor de a visitar aqui

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Inconsistências...



Quando a vida pede...


A vida pede...
Por vezes pede muito,
por vezes pede pouco.
Do muito e do pouco
por vezes não é atendida.
Porque no campo das cedências
e de algumas concedências,
há, por vezes, egoísmos,
incompreensões, falta de altruismo.

Enfim, inconsistências.
A vida pede... 

e a gente teme
e impede.
Mas a vida continua vida!


Não sei bem porquê?!

Será pela aproximação do Natal?
Será pela "crise" por que passamos atualmente?
Será por estar modificando a minha opinião sobre o Mundo?
Será pelos amigos diferentes e bons que encontrei recentemente?
...
Apenas sei que esta semana "estou assim"!
Muito mais sensível aos problemas da vida!


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Reflexões...

Sobre a vida...


Constrangimentos...



Hoje vivemos (ou, julgamos viver) num mundo civilizado.
Vivemos no mundo "do reverso", "do contraditório", "do expiatório", de um "novo purgatório", num "novo limiar".
Para qualquer tema, para qualquer lado que nos viremos, somos obrigados a revermos os modos como pensávamos, como agíamos, perante o mundo que antes nos tinha sido representado, como nos tinha sido apresentado. E... tudo está mudado!
Nós, os que vivemos "assim, assim" ou "menos mal", damo-nos por nós a "ter que dar muitas graças a Deus" pelo que ainda temos, pelo que ainda podemos viver e do modo que vivemos.
Enquanto que...
Quem sou eu (sózinho) para poder mudar alguma coisa? Para que isso sucedesse, teria também que mudar muita coisa em mim, especialmente no meu estilo de vida acomodatício, de certo modo egoísta em que fui criado e tenho impingido a mim próprio.
A vida actualmente é constrangedora. Deixa-nos perturbados e a pensar nas situações adversas.
Mas... há sempre aquele mas...
Nunca tive espírito de voluntário.
Não sei me dar.
Não apreendi, nem se sei se consigo viver de outro modo.
Preciso de muita ajuda!

Solidão...



E aí...
Com tantos cânticos...
Com tantas árvores batendo palmas..
Aí...
As aves do campo baterão asas,
voarão para longe,
e então...
ficarei sozinho,
naquela imensidão,
sem o canto das aves,
aquilo que mais adoro.
E aí...
Então choro.