A gota cai da chuva Percorre o chão Corre para o bueiro Segue em frente Junta-se a tantas gotas iguais Já não são gotas, viraram corrente Chegam ao rio, várias correntes O mar as espera, o rio deságua Nas águas bravias Muitos rios, muitas correntes, muitas gotas O calor intenso, a água se aquece Então se evapora, as nuvens se formam As chuvas que chegam As gotas que caem Começa tudo de novo Porém, não são as mesmas gotas...
Hoje, como há três (3) anos... chove, Não muito tempestuosamente, mas chove, Como chovia naquele dia.... e eu me desdobrava em pensamentos, em saber que nome deveria dar ao meu blogue, suavemente na rádio começou-se a entoar uma música, uma canção, eternamente do meu pleno agrado.
Assim surgiu o nome do blogue... ao som desta música...
É a transmissão de saberes feita oralmente, pelo povo, de geração em geração, isto é, de pais para filhos ou de avós para netos. Estes saberes tanto podem ser os usos e costumes das comunidades, como podem ser os contos populares, as lendas, os mitos e muitos outros textos que o povo guarda na memória (provérbios, orações, lengalengas, adivinhas, cancioneiros, romanceiros, etc.). Também são conhecidos como património oral ou património imaterial. Através deles cada povo marca a sua diferença e encontra-se com as suas raízes, isto é, revela e assume a sua identidade cultural.
(in Alexandre Parafita“Histórias de arte e manhas”, Texto Editores, Lisboa, 2005, p. 30)
Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.
O Rio de Janeiro está a importar conhecimento de Portugal para resolver um problema antigo na cidade: a má conservação das calçadas de pedra portuguesa.
O desafio é revitalizar uma profissão que está quase extinta, a de calceteiro. Os calceteiros são responsáveis pela arte de recuperar e fixar as pedras portuguesas nos passeios públicos. Neste mês de Novembro, cinco mestres portugueses de Lisboa estiveram no Rio de Janeiro para formar uma turma de 20 calceteiros que irão replicar o conhecimento para outros que se querem formar na profissão. «Podemos dizer que as calçadas portuguesas são um pedacinho de Portugal espalhado pelo mundo», afirmou o fiscal de obras da Câmara de Lisboa, Fernando Fernandes, o responsável que coordena os quatro mestres portugueses que vieram ajudar na formação dos calceteiros brasileiros. «Essa profissão no fundo é uma arte, a arte de trabalhar a pedra. De facto, é uma profissão que corre o risco de extinção, não só cá no Brasil como em Portugal. É uma arte muito dura pela posição do trabalho e o partir a pedra é um trabalho duro também. Hoje em dia infelizmente não é muito bem remunerado», ressaltou Fernandes. Segundo o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos da cidade do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, a cidade do Rio é«uma grande cidade portuguesa na América do Sul». Porém,«ao longo dos anos, o Rio de Janeiro foi perdendo a arte de assentamento das pedras portuguesas», destaca Osório. «Existe uma especialidade, uma técnica que precisa ser recuperada. E o nosso projecto é que nós possamos formar uma nova geração». Entre as principais vantagens deste tipo de piso, acrescenta Osório, está a facilidade de absorção de água de infiltração, principalmente numa cidade tropical com fortes volumes de chuva, além de não acumular calor pois o calcário de cor branca reflete. O carioca Gedião Azevedo, de 47 anos, fez parte da primeira turma de calceteiros na década de 90 e hoje está a reciclar o conhecimento. Apesar de não ter nascido português, a sua paixão é pela pedra portuguesa, garante. «Os meus colegas estão super animados. Em relação ao trabalho, o mestre português mesmo falou que evoluímos muito», revelou. «A paixão da minha vida é a pedra portuguesa, não nasci português, mas sou apaixonado pela pedra portuguesa», destaca. O Rio de Janeiro possui 1,218 milhão de metros quadrados de calçada em pedras portuguesas. Muitas áreas do Rio são classificadas, como o desenho em curvas do calçadão de Copacabana, criação do paisagista e arquiteto Burle Max, inspirada na obra histórica da Praça do Rossio, em Lisboa, que usa o padrão Mar Largo.
LEITE DERRAMADO deCHICO BUARQUE Acaba de Ganhar o Prêmio PT Literatura 2010
(…) A MEMÓRIA É DEVERAS um pandemónio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que remove a papelada para espanar o escritório. Ou como a filha que pretende dispor minha memória na ordem dela, cronológica, alfabética, ou por assunto (…)
Este é um passeio pelo enredo de “Leite derramado”, último livro de Chico Buarque.
***** Passado um ano após o aparecimento do livro, a PT (Portugal Telecom) resolveu atribuir este prémio. Não que não devesse. É sobejamente merecido.
Bem sei, que o tempo não conta quando se está muito em cima da data de publicação. Será decerto relegado para o ano seguinte.
Mas, neste caso, será que não houve uma operação de "charme" para focalizar as atenções para os negócios que se desenvolvem, com a entrada do capital da PT na "OI"?
De qualquer modo, justiça seja feita. Esse prémio é bem-vindo!
Ainda ontem,
passei por aquele bar em que estivemos.
Vi aquela mesa em que nos sentamos
e conversamos sobre a vida.
Naquele dia,
você não entendeu meus sinais
e a gente se despediu sem dar
chance para aquele sentimento
que começava a adormecer.
Engraçado que falamos sobre isso depois do nosso encontro.
Minha mãos sempre estiveram tão próximas de te alcançar.
Seus dedos tentaram se perder em meus cabelos.
Então, porque não conseguimos?
Hoje sei que isso se perdeu, não é mais possível.
Você tem uma vida diferente,
medo do novo e da decepção,
do amor, da entrega.
Prefere se esconder…
Acho que já superei essa fase.
Então, de novo estamos em caminhos diferentes…
Maria Flor ✿ ܓ ***** PS: Hoje resolvi relembrar alguém que nos deixa por aí uns rabiscos em forma de poemas