terça-feira, 16 de novembro de 2010

Não quero que seja um "Adeus"...



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PS: Não me estou a despedir...
      Deixo aqui esta canção apenas porque alguém 
      me fez "gostar dela".
      Ternamente.... aqui continuo sempre.

Oralidade...

O que é a tradição oral?
É a transmissão de saberes feita oralmente, pelo povo, de geração 
em geração, isto é, de pais para filhos ou de avós para netos. 
Estes saberes tanto podem ser os usos e costumes das comunidades, 
como podem ser os contos populares, as lendas, os mitos e muitos outros 
textos que o povo guarda na memória  (provérbios, orações, lengalengas, 
adivinhas, cancioneiros, romanceiros, etc.). 
Também são conhecidos como património oral ou património imaterial. 
Através deles cada povo marca a sua diferença e encontra-se com as 
suas raízes, isto é, revela e assume a sua identidade cultural.


 (in Alexandre Parafita “Histórias de arte e manhas”
Texto Editores, Lisboa, 2005, p. 30)

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Hoje em Portugal é...



- Dia Nacional do Mar


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Por mares nunca antes navegados,
Por mares por navegar,
Sentado no alto da arriba,
Dormente, quase a sonhar.

Vírus entranhado...


AS RAÍZES DO NOSSO AMOR



Amo-te porque tudo em ti me fala de África,
duma forma completa e envolvente.
Negra, tão negramente bela e moça,
todo o teu ser me exprime a terra nossa,
em nós presente.

Nos teus olhos eu vejo, como em caleidoscópio,
madrugadas e noites e poentes tropicais,
- visão que me inebria como um ópio,
em magia de místicos duendes,
e me torna encantado. (Perguntaram-me: onde vais?
E não sei onde vou, só sei que tu me prendes...) 

A tua voz é, tão perturbadoramente,
a música dolente dos quissanges tangidos
em noite escura e calma,
que vibra nos meus sentidos
e ressoa no fundo da minh'alma. >>>

GERALDO BESSA VÍTOR
(Angola)
...
Poema continua ... aqui

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Amor transmitido...



Que amor é esse?!





Que amor é esse
que te vejo onde não estás,
te levo onde não me acompanhas,
te sinto onde não és?!
Que amor é esse
se não o ar que respiro,
a vida que vivo,
sem viver?!
Que amor é esse
que se faz loucura,
habita em mim,
e parece não ter fim?!
.
(Suelly Ribella)

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PS: Clique no nome do poema para ver a origem do mesmo.
       Bom feriado! (com independência!)

Hoje é...

DIA NACIONAL DA LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA
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             As mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.
Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.
E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.
De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

(Manuel Alegre)


domingo, 14 de novembro de 2010

Deixo-vos uma canção...

Para recordar...


Consciência artística...

Brasil

Rio de Janeiro revitaliza calçada portuguesa

 14/11/10 10:20

O Rio de Janeiro está a importar conhecimento de Portugal para resolver um problema antigo na cidade: a má conservação das calçadas de pedra portuguesa.
O desafio é revitalizar uma profissão que está quase extinta, a de calceteiro. Os calceteiros são responsáveis pela arte de recuperar e fixar as pedras portuguesas nos passeios públicos.
Neste mês de Novembro, cinco mestres portugueses de Lisboa estiveram no Rio de Janeiro para formar uma turma de 20 calceteiros que irão replicar o conhecimento para outros que se querem formar na profissão.
«Podemos dizer que as calçadas portuguesas são um pedacinho de Portugal espalhado pelo mundo», afirmou o fiscal de obras da Câmara de Lisboa, Fernando Fernandes, o responsável que coordena os quatro mestres portugueses que vieram ajudar na formação dos calceteiros brasileiros.
«Essa profissão no fundo é uma arte, a arte de trabalhar a pedra. De facto, é uma profissão que corre o risco de extinção, não só cá no Brasil como em Portugal. É uma arte muito dura pela posição do trabalho e o partir a pedra é um trabalho duro também. Hoje em dia infelizmente não é muito bem remunerado», ressaltou Fernandes.
Segundo o secretário municipal de Conservação e Serviços Públicos da cidade do Rio de Janeiro, Carlos Roberto Osório, a cidade do Rio é «uma grande cidade portuguesa na América do Sul».
Porém, «ao longo dos anos, o Rio de Janeiro foi perdendo a arte de assentamento das pedras portuguesas», destaca Osório.
«Existe uma especialidade, uma técnica que precisa ser recuperada. E o nosso projecto é que nós possamos formar uma nova geração».
Entre as principais vantagens deste tipo de piso, acrescenta Osório, está a facilidade de absorção de água de infiltração, principalmente numa cidade tropical com fortes volumes de chuva, além de não acumular calor pois o calcário de cor branca reflete.
O carioca Gedião Azevedo, de 47 anos, fez parte da primeira turma de calceteiros na década de 90 e hoje está a reciclar o conhecimento. Apesar de não ter nascido português, a sua paixão é pela pedra portuguesa, garante.
«Os meus colegas estão super animados. Em relação ao trabalho, o mestre português mesmo falou que evoluímos muito», revelou.
«A paixão da minha vida é a pedra portuguesa, não nasci português, mas sou apaixonado pela pedra portuguesa», destaca.
O Rio de Janeiro possui 1,218 milhão de metros quadrados de calçada em pedras portuguesas.
Muitas áreas do Rio são classificadas, como o desenho em curvas do calçadão de Copacabana, criação do paisagista e arquiteto Burle Max, inspirada na obra histórica da Praça do Rossio, em Lisboa, que usa o padrão Mar Largo.

Sol/Lusa 

sábado, 13 de novembro de 2010

Que os bons ventos te guiem...

E o meu corpo te guarde...


Memórias

LEITE DERRAMADO de CHICO BUARQUE 
Acaba de Ganhar o Prêmio PT Literatura 2010




(…) A MEMÓRIA É DEVERAS um pandemónio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas. Não pode é alguém de fora se intrometer, como a empregada que remove a papelada para espanar o escritório. Ou como a filha que pretende dispor minha memória na ordem dela, cronológica, alfabética, ou por assunto (…)


Este é um passeio pelo enredo de “Leite derramado”, último livro de Chico Buarque.


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Passado um ano após o aparecimento do livro, 
a PT (Portugal Telecom)  resolveu atribuir  este prémio. 
Não que não devesse. É sobejamente merecido.


Bem sei, que o tempo não conta quando se está muito 
em cima da data de publicação. 
Será decerto relegado para o ano seguinte.


Mas, neste caso, será que não houve uma 
operação de "charme" para focalizar as atenções 
para os negócios que se desenvolvem, 
com a entrada do capital da PT na "OI"?


De qualquer modo, justiça seja feita. 
Esse prémio é bem-vindo!


Deixo  três ligações sobre o mesmo assunto, 
dignas de serem lidas:
- Ecos da Cultura Popular
- Belgavista
- Passeando pelo Cotidiano


E... ainda o que originou da leitura  das duas 
últimas ligação e que escrevi neste blogue


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Votos de BOM FIM DE SEMANA ...
e ... de ótimas leituras.



"Nosso amor de ontem"



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Tudo isto, são memórias lindas no cantinho da nossa mente.
De ontem, de hoje e para o amanhã!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os amores de ontem...



Ontem...


Ainda ontem,
passei por aquele bar em que estivemos.
Vi aquela mesa em que nos sentamos
e conversamos sobre a vida.

Naquele dia,
você não entendeu meus sinais
e a gente se despediu sem dar
chance para aquele sentimento
que começava a adormecer.

Engraçado que falamos sobre isso depois do nosso encontro.

Minha mãos sempre estiveram tão próximas de te alcançar.
Seus dedos tentaram se perder em meus cabelos.
Então, porque não conseguimos?

Hoje sei que isso se perdeu, não é mais possível.
Você tem uma vida diferente,
medo do novo e da decepção,
do amor, da entrega.
Prefere se esconder…
Acho que já superei essa fase.

Então, de novo estamos em caminhos diferentes…



Maria Flor ✿ ܓ
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PS: Hoje resolvi relembrar alguém que nos deixa por aí
      uns rabiscos em forma de poemas

Relembremos Timor...



Neste dia:

Sem esquecer o escritor... eis o cantor

Mário Lúcio de Sousa

E se Deus ressuscitasse mulher...?!



Novíssimo Testamento de Mário Lúcio Sousa 
(D.Quixote - colecção literatura lusófona 
e futuramente na Língua Geral, Brasil)


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_É chegada a minha hora,
balbuciou a velha, que se encontrava havia mais de três meses no seu leito, diga-se mais morta do que viva, com forças apenas para aquelas palavras, como se as tivesse poupado para, desse modo, dar por anunciado o fim da mulher mais beata que o mundo alguma vez conhecera, estranha pronúncia foi aquela, a penúltima, uma cabala de uma morte evidente, porque a última da morte ninguém sabe, mas todos sabiam que era sem dúvida o adeus esperado da mais abnegada pessoa que a igreja e a sociedade alguma vez baptizaram naquelas ilhas abandonadas, tratava-se da mulher mais desinteressada pela vida que a vida alguma vez recebera, aquela que entre todas este mundo menos amara, aquela que mais desprezara o corpo e os seus prazeres, a mais temente a Deus de todas as criaturas, a grande pedra da igreja local, a catequista a tempo inteiro e por todo o tempo da diocese, a mais admiradora de Jesus que nenhuma outra cristã, a conhecedora sem par das Escrituras, a servidora ímpar dos pobres, o exemplo absoluto dos fiéis, mulher que, para além de dedicar toda uma vida a preparar-se para um dia subir ao céu e viver à direita dos apóstolos, também era uma estudiosa incomparável da morte, de todas as formas da morte, porque queria saber bem como morrer para poder alcançar a vida eterna, o que lhe dera conhecimentos inéditos e lhe permitira decifrar todas as etapas por que passam todos os mortos, e dizia que as fases da moribunda são seis, a Dúvida, o Desespero, o Apego, a Impaciência, que é o momento da cólera, o Orgulho, e o Abandono, assim bem contadinhas, mas isso não lhe fazia ter menos medo à morte, mesmo crente da sua inabalável esperança de ser ressuscitada de entre os mortos no dia do Juízo Final, objectivo para o qual dedicara todos os seus anos de menina, a sua mocidade, a sua virgindade, a sua irmandade, o seu corpo, e a sua implacável devoção de freira, tudo sacrificara para um dia morrer bem, de tal modo que, quando ela emitiu a custo a frase É chegada a minha hora, as netas que com ela estavam interpretaram aquilo como sendo finalmente a renúncia da vida e a aceitação da morte, e, na verdade, era o que ela queria dizer, embora seja de um paradoxo abissal o desapego à vida e o medo à morte, mas, para a glória da sua coragem, a velha acabara de pronunciar a frase, dita entre os dentes e o delírio, é verdade, mas com a última das coragens e, nesse momento, ali ante as suas netas, sentiu-se a ser elevada às alturas, que uma nuvem a recebia, ocultando-a, e ela então não se lembraria de mais nada, como é natural, entrara já no túnel da morte e qualquer lembrança nessa hora desencadeia um apego atroz à vida,
_Valha-nos Deus, chamem o médico, chamem o médico,
 (Continua >>)

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Vidé mais aqui

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Hoje é...



Dia de S. Martinho:


Apesar de haver muitos provérbios populares, 
para mim, apenas um:
   
" No S. Martinho nem castanhas, nem vinho...
    Somente "mau caminho" !!! "



No dia de hoje...

11-11-1975 – Angola torna-se independente de Portugal.
Haja esperança no futuro!





Angola (Matias Damásio)

Entre o tédio e a solidão...



Prefiro a solidão...
Os dois juntos é que não!!





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Lindo! Obrigado Márcia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Foi-me dado a conhecer...

Através de amigos, uma poetisa, com vasta obra
publicada, e que fez a apresentação do seu último 
livro "Cresci com a poesia" a semana passada.
Vêja-a em "Regatos da Concentração"


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INVEJA


Corrompe
Maltrata
Distorce
Mas atraiçoa-se.
É deformada.
Vem disfarçada.
Ora maltrapilha
Ora bem arranjada
Assim é a inveja
Que invade o coração.
Reveste-se de muito brilho
Mas transmite nas veias
O veneno com ar de perdão.
É a morte anunciada
De quem bebeu da poção
Que parecendo mágica
Transforma o falso em verdade
Mas carrega a morte trágica
Porque é triste a realidade.
Não faz parte do que é Arte
Da grande arte que é Viver
E transforma a cura em dor
Sendo maior o sofrimento
De quem pensa ser amor.
Não vendo que o brilho cega
E a alma fica perdida
Iludida, apenas carrega
Uma dor desmedida
Perdendo o belo o valor.


(Dina Ventura “Only me” – 9 de Novembro 2010)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Minhas escolhas...nossas escolhas!

A Águia - escolhas difíceis


A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos.
Mas para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. 
Aos 40 anos ela está com: 
As unhas compridas e flexíveis, não consegue mais agarrar as suas presas das quais se alimenta. 
O bico alongado e pontiagudo se curva, apontando contra o peito. 
As asas estão envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas e voar já é tão difícil! 
Então, a águia só tem duas alternativas:
Morrer...
... ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar 150 dias. 
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar. 
Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo.
Após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas. 
Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas. 
E só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e para viver então mais 30 anos."
"Em nossa vida, muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor. 
Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz". 


(Autor desconhecido)


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E tudo, simplesmente, por ter escolhido "ser feliz" por mais alguns anos.