quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Viajando à toa... por Lisboa.



Para o Guará (especialmente):



Sem ser em "Um eléctrico chamado desejo"
(i.e., "Um bonde chamado desejo")


"Flamenguista"

Para mim "flamenguista" é o apreciador de "queijo flamengo"


Mas, como existem outras interpretações para a palavra...
Deixo aqui os meus parabéns a uns certos "flamenguistas" pelo "vosso dia"

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

"O pastor amoroso"


Passei toda a noite, sem dormir


Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distracção animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela. 
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

(Alberto Caeiro, aliás Fernando Pessoa, in "O Pastor Amoroso")

Nossas raias fronteiriças...

Depois de inserir o post sobre "Ciganas", lembrei-me de um post 
inserido no blogue de uma amiga (a MAI), que me deixou encantado 
naquele tempo, pelo grande significado que tem para mim, asssim 
como o que tem a música "A cigana e o pastor".
Abaixo transcrevo integralmente o que a Mai escreveu:


*****
Periféricos na andaluzia

.

Impulsos oníricos a lhe perturbar e os feixes de luz que saiam dos olhos encandeavam os seus. Não era humano aquilo, mas como suava aquela cristã! Mouros. Ou seriam lobos da andaluzia? Noturnos assaltos que de tão surreal confundiam os sentidos. Mordiscava de medo os lábios, mas aquela invasão mourisca, era tudo de bom. E entregue se perdia. Restava inerte de tanto querer e nem queria acordar ou gritar por socorro. Corria nas ruas da Andaluzia e aquilo era tudo um sonho mas haviam lobos e os mouros a invadir a janela. Selvagens aromas lembrando Servilha. E tudo servia e suava, mas não havera de correr naquela noite. E tudo estava tão bom que fingia dormir com um olho aberto mas queria bem mais. Ao longe os sons da percussão encobriam seus uis. Granada. Guitarra flamenca e as platinelas arábicas davam o toque andaluz. Breu. Tudo ali era tatil e os cheiros da noite aguçavam os sentidos. Cravo, canela, baunilha, ou seria Channel? Intuição. Aquilo tudo era a pele e a seda da flor. E na fruição de quereres, seus uis reforçavam aquela selvageria mourisca. Arisca era aquela mulher que da periferia se arriscava a colear sob os lençóis. Silêncio por fim e enfim, uma estranha mutação. E a devota cristã restou-se pagã e feroz, correndo com os lobos na periferia.

Ciganas...

Uma linda cigana:





E uma linda estória cantada:

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Há os que são, por natureza, iluminados...

Como este

Nacionalismo em "Malhoa"



Um... "Malhoa"




Fado Malhoa


Alguém que Deus já lá tem 
Pintor consagrado, 
Que foi bem grande e nos dói 
Já ser do passado, 
Pintou numa tela, 
Com arte e com vida, 
A trova mais bela 
Da terra mais querida. 

Subiu a um quarto que viu 
Á luz de petróleo
 
E fez o mais português
 
Dos quadros a óleo:
 
Um Zé de samarra
 
Com a amante a seu lado,
 
Com os dedos agarra,
 
Percorre a guitarra
 
E ali vê-se o fado.
 

Faz rir a ideia de ouvir
 
Com os olhos, senhores,
 
Fará, mas não para quem
 
Já ouviu mas em cores.
 
Há vozes de Alfama
 
Naquela pintura
 
E a banza derrama
 
Canções de amargura.
 

Dali vos digo que ouvi
 
A voz que se esmera,
 
Boçal o faia banal,
 
Cantando a Severa.
 
Aquilo é bairrista,
 
Aquilo é Lisboa,
 
Boémia e fadista,
 
Aquilo é de artista
 
E aquilo é Malhoa.
 



PS: Para compreender este "fado" veja as explicações  aqui
      

Causa de morte...

Morreu polvo adivinho "Paul"

Por SAPO Desporto


O polvo “Paul”, que ficou conhecido por prever todos os resultados do Mundial de futebol 2010, morreu esta terça-feira.

O Aquário de Oberhausen, na Alemanha, revelou hoje que o polvo adivinho "Paul" faleceu esta terça-feira. A última aparição pública do cefalópede foi aquando do seu apoio oficial à candidatura de Inglaterra à organização do Mundial 2018.
Paul ficou conhecido por ter adivinhado todos os resultados da Alemanha no Mundial 2010 e ter previsto a vitória final de Espanha diante da Holanda.
Chegou até a ser criada uma aplicação para o Iphone com o polvo a ajudar as pessoas nas suas escolhas.
Veja aqui o vídeo com uma das previsões do polvo adivinho.
O director do aquário de Oberhausen, Stefan Porwoll, crê que Paul teve uma boa vida: "Nós estamos consolados porque acreditamos que ele teve uma boa vida aqui. Não podíamos tê-lo tratado melhor do que o fizemos."
Perante o tamanho sucesso das premonições do polvo durante o Mundial 2010, o aquário decidiu erigir um monumento em memória de Paul.

******
Contudo, por averiguações feitas à posteriori,  “Paul” não morreu de “causas naturais”, como foi comunicado.
Fontes fidedignas informam, que “Paul” morreu devido ao cansaço, 
pelo esforço feito através de implicações corruptas e imposições 
milionárias, ao ter que definir , contra a sua vontade, quem iria 
vencer  as Presidenciais no Brasil.



segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Compasso do malandro...

Seguindo a minha boa "estrela", 
apresento-vos:



E... deixo-vos a minha fonte 
de inspiração:
"" ECOS DO TELECOTECO""

Dias... e que dias!



Hoje é...
- Dia da Democracia; e...
- Dia do Macarrão.
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Pensamento: Ambos deviam ser "para todos"

Para a minha última neta...


MENINA DOS OLHOS DOCES


Menina dos olhos doces
Adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar...

Os meus braços são a Lua,
Quando ela é quarto crescente:
Dorme menina de trapos,
Meu pedacinho de gente.

Dorme minha filha triste,
Meu farrapo de menina,
Dorme, porque eu sou a nuvem
Que te serve de cortina.

Menina dos olhos doces
Adormece ao meu cantar:
Tenho menina de trapos,
Tenho uma voz de luar...

(Matilde Rosa Araújo)
In O LIVRO DA TILA - CANTIGAS PEQUENINAS , Atlântida Editora, 1973

domingo, 24 de outubro de 2010

Chegou...

Malandro é malandro, mané é mané...





"Tô fazendo a minha parte"

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Recordação de juventude - quando era "menino do coro"

"O chá do Lu"


Três vezes por semana subia as escadas de corrimão de madeira. Três vezes por semana às três da tarde. Tocava a campainha e esperava alguns instantes até ouvir os passos arrastados no soalho. A porta abria-se. E entrava no corredor escuro que cheirava a cera e alfazema. Verificava as botijas de oxigénio. As caixas de medicamentos. Depois abria a torneira da banheira e preparava-lhe o banho. Com os sais cor de rosa, pedia a mulher. Os que o meu filho me deu no dia da mãe. Ajudava-a a despir. E colocar a touca de borracha com flores. Depois sem olhar para o corpo nú e velho ajudava-a a entrar na banheira. Lentamente passava a esponja na pele flácida. A mulher velha queixava-se das dores nas pernas. Da falta de memória. Da dificuldade em mastigar a carne. E do tempo. Não do que já não tinha. Mas do que lhe trazia a chuva. A mesma que culpava pelas dores. No fim, vestia-lhe o pijama de flanela que uma prima lhe comprara na retrosaria da terra e penteava-lhe lentamente o cabelo que um dia fora farto e tivera cor. Quer um chá? Perguntava enquanto lhe calçava as pantufas de pêlo. E os olhos pequenos e negros da velha iluminavam-se. Porque sabia que era hora do lanche. A hora em que podia recordar. Mesmo as estórias que lhe aconteciam na memória cheias de hiatos e pessoas sem rosto nem nome. Ela servia-lhe o chá nas chávena de flores amarelas. Colocava-lhe um guardanapo no colo e pegava-lhe nas mãos frias cheias de manchas. E era nesse preciso momento que tinha pena. De não se lembrar como se fazia ponto de meia. Como a mãe um dia lhe ensinara.


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PS: Encontrei este post tão simples e belo.
       Resolvi inseri-lo no meu blogue.
       Clique no nome "Chá de cidreira" para ver a origem do mesmo.

Porque hoje é sexta...



"Não se esqueça de meter o Euromilhões"

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Lugar passageiro: a Vida.



Se eu pudesse

Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento de amar
a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo
o que foi ensinado pelo tempo a fora.
Lembraria os erros que foram cometidos
para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse,
o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse,
um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo
a resposta e a força para
encontrar a saída."

(Mahatma Gandhi)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Poetar é preciso...




Acredito sensivelmente que nós mortais precisamos beber 
deste néctar precioso que é a escrita. 
Infelizmente, nem sempre somos compreendidos.
A escrita é uma lâmina afiada que pode cortar, desamarrar e 
salvar-nos, como também pode ferir e matar-nos.
Fazer-se conhecer através da escrita não é fácil. 
O autor que se desnuda através dela, tem de ter nervos de aço, 
mas coração de pescador...
Todavia, enfrenta marés violentas, outras mar taciturno...
Nem sempre se pode colher redes abundantes, pois que 
o mar muitas vezes nos nega seu fruto...
O verdadeiro autor não cabe só dentro de si, ele não cabe só 
num quarto à luz de um abajour, tendo apenas como 
companheira uma velha, mas fiel escrivaninha,
uma cadeira gasta e uma página em branco...
Não! O autor é do mundo!
O mundo espera por ele, quer ouvi-lo, lê-lo, vê-lo, senti-lo...
Não mate as palavras dentro de seu coração, pois que o 
verso é santo, forte e livre.
Não se abandona o barco antes do naufrágio.
Ainda assim, no fundo do mar, inquieto e silencioso, 
o barco dorme o sono dos anjos...
Quem nasce poeta, vive e morre pela escrita!
Pois que o poeta é um barco, que com o tempo aprendeu 
a navegar ora em rotas serenas ora turbulentas.
Dê tempo ao mar, deixe-o apaziguar, pois que o sol ainda 
há de brilhar sobre as velas...


(Márcia Cristina Lio Magalhães - 2009)


PS: Neste dia, Márcia, insiro aqui um trecho do seu blogue.
      Votos de muitas venturas ... e poesias.
      Clique no nome do texto  "Carta ao Poeta"  para ver 
      a origem

Hoje queria ser... pois, seria o meu dia...

... dentro de uns certos parâmetros, até sou...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Outras praias... outras estrelas... outros mares...




Acordas de um sonho mal dormido
como quem regressa enfermo
de uma viagem de mil anos

Conheces agora todas as cidades
todos os abismos e desertos
na arquitectura do teu desconcerto

Voltas sem nada
e do que deixaste
já nada te pertence
Nenhum espelho reconhece
o outro de ti
na indefinição de um rosto
onde a luz esmorece
como estrela que se apaga
caída na areia junto do mar

Refazes ainda
o desenho dos passos
nas marcas do desalento
porque o teu coração
de pés feridos e descalços
não pára de caminhar

(Lídia Borges)


*****
PS: Clique no título do poema "Regresso" para ver a origem deste post,

Hoje estou assim....

Prisioneiro....