terça-feira, 10 de novembro de 2009
Neste Outono...

Este inferno de amar
Este inferno de amar - como eu amo!
Quem mo pôs aqui n'alma... quem foi?
Esta chama que alenta e consome,
Que é a vida - e que a vida destrói -
Como é que se veio a atear,
Quando - ai quando se há-de ela apagar?
Eu não sei, não me lembra: o passado,
A outra vida que dantes vivi
Era um sonho talvez... - foi um sonho -
Em que paz tão serena a dormi!
Oh! que doce era aquele sonhar...
Quem me veio, ai de mim! despertar?
Eu passei... dava o Sol tanta luz
E os meus olhos, que vagos giravam,
Em seus olhos ardentes os pus.
Que fez ela? eu que fiz? - Não o sei;
Mas nessa hora a viver comecei..
[ Almeida Garrett, Folhas caídas ]
Para os meus amigos "Mengões"...
domingo, 8 de novembro de 2009
Que todos os "muros" caiam...
Quando caiu o muro de Berlim pensou-se que a estratégia da guetização, como forma de isolamento de um povo e amputação da sua liberdade de movimentos, tinha sido apagada da história do nosso tempo. Piedosas criaturas, políticos campeões da liberdade e dos direitos do homem, inquietaram-se durante décadas com o muro levantado à volta de Berlim, que classificavam de ignomínia. Alguns, na ilusão de que o seu derrube significava o fim da história, apressaram-se a apregoar um mundo novo, liberto desses constrangimentos totalitários. Afinal, não só a história não acabou -- mea culpa Fukuyama! -- como o muro voltou a funcionar como instrumento de domínio político e de subjugação de populações. Surpreendentemente, deixou de se ouvir o clamor dos protestos de muitos campeões da liberdade e dos direitos do homem, matéria, onde, pelos vistos, há sempre dois pratos e várias medidas. Há muros que são melhores que outros... Quem fala do muro que Israel edificou na Cisjordânia? Começou a ser construído em 2002, o Tribunal Internacional de Justiça decidiu, dois anos depois, que o governo de Israel devia derrubar essa barreira que já tinha 413 quilómetros de comprimento. O muro é um sinal de não-futuro para os territórios ocupados, um ultraje à dignidade dos palestinianos, uma lâmina apontada ao quotidiano de um povo, um veneno contra a Paz. É outro muro da vergonha. Que cresce à margem da lei internacional, como impunidade consentida. Que vergonha!
Fernando Paulouro Neves (Jornal do Fundão)“Não quero que a minha casa seja cercada de muros por todos os lados
nem que as minhas janelas sejam tapadas.
Quero que as Culturas de todas as terras sejam sopradas para dentro da minha casa,
o mais livremente possível.
Mas recuso-me a ser desapossado da minha, por qualquer outra.”
Santo Domingo...pensativo
ó Beleza tão antiga e tão nova,
tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim,
e eu, lá fora, a procurar-Vos!
Disforme, lançava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava Convosco!
Retinha-me longe de Vós
aquilo que não existiria,
se não existisse em Vós.
Porém, chamastes-me,
com uma voz tão forte,
que rompestes a minha Surdez!
Brilhastes, cintilastes,
e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes Perfume:
respirei-o, a plenos pulmões, suspirando por Vós.
Saboreei-Vos
e, agora, tenho fome e sede de Vós.
Tocastes-me
e ardi, no desejo da Vossa Paz"
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Porque hoje é sexta !!!
O que se deixa de uma vida de lutas e de sonhos, de puros ou profanos amores gritados ou velados demais?
Senão o fato de viver?
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Sonhar... é preciso
Nunca desista dos seus sonhos
“Nunca se afaste de seus sonhos. Porque, se eles forem, você continuará vivendo, mas terá deixado de existir”. (Mark Twain)
Os sonhos diurnos trazem saúde para a emoção, equipam o frágil para ser autor de suas histórias, renovam as forças do ansioso, animam os deprimidos, transformam os deprimidos em seres de raro valor e fazem os tímidos terem golpes de ousadia.
Você não precisará de sonhos para ser um trabalhador comum, massacrado pela rotina, que faz tudo igual todos os dias e que vive apenas em função do salário no final do mês.
Mas precisará de muitos sonhos para ser um profissional que procura a excelência, amplia os horizontes de sua inteligência, fica atento às pequenas mudanças, tem coragem para corrigir rotas, tem capacidade de corrigir erros, tem ousadia para fazer das suas falhas e dos seus desafios um canteiro de oportunidades.
Precisará de sonhos para enxergar soluções que ninguém vê, para apostar naquilo que você crê, para encantar seus colegas, para surpreender sua equipe de trabalho.
Quem sonha não encontra estradas sem obstáculos, lucidez sem perturbações, alegrias sem aflição. Mas quem sonha voa mais alto, caminha mais longe.
Toda pessoa, da infância ao último estágio da vida, precisa sonhar!
Os sonhos não determinam o lugar aonde você vai chegar, mas produzem a força necessária para arrancá-lo do lugar em que você está. Ninguém é digno do pódio se não usar suas derrotas para alcançá-lo. Ninguém terá prazer no estrelato se despreza a beleza das coisas simples no anonimato.
Sem sonho a coragem se dissipa, a inventividade se esgota, o sorriso vira um disfarce e a emoção envelhece.
A disciplina sem sonhos produz servos que fazem tudo automaticamente.
E os sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas que não transformam os sonhos em realidade.
Sonhar é preciso, pois sem sonhos as pedras do caminho se tornam montanhas, os problemas ficam insuportáveis, as decepções se transformam em golpes fatais e os desafios se transformam em fontes de medo.
Sonhar é preciso, pois o sonho alimenta o sono que alimenta a vida.
E a vida não teria sentido se não fosse pelo sonho de ser feliz um dia.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Ando gélido...com...
Remorso
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Sonhar... na Planície
Sonhar é sair pela janela da liberdade,
é vaguear pelos caminhos
proibidos ou não.
É, sem ter um rumo qualquer,
ter um alvo a perseguir:
a felicidade.
Sonhar é não nos limitarmos a limites
sejam eles quais forem,
impostos ou não.
É fazer do impossível o possível
quando e como quiser o coração.
Sonhar é viver o passado no futuro
e o futuro no presente.
É ter o que se quer
e afastar o que não se deseja.
É despertar dentro de nós
aquele ser criança.
É almejar a vida...
Sonhar não é direccionar os pensamentos
ao que pode ser real
Mas sim tornar real,
mesmo que apenas na mente,
o possível e o impossível,
o real e o abstracto,
o tudo e o nada...
Sonhar é dar a própria vida
É entregar ao coração as rédeas da razão
Sonhar é sair...
É fazer...
É sentir...
É amar...
É ser amado...
É ter esperança...
É viver!
Sonhar é preciso!
**************
Clique no título "Sonhar" para ver a origem do post. Esta amiga "desconhecida" continua a merecer toda a minha atenção e dedicação pelo que escreve e transmite.
Quanto ao vídeo, agradeço à Zira a "inspiração" que me transmitiu.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Não brinque com Deus
Emoções... em Fuga
Fuga
Quando parti
levava também
meu olhar perdido,
uma solidão entristecida,
um olhar desvanecido.
Não vou voltar,
falta-me brilho
para luz dar.
Minha voz esmoreceu,
apenas soa em desalento,
não há sóis,
nem luas,
apenas tormento.
A vida fenece,
há muito que sucumbi,
desde esse dia da partida.
...
Há muito
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Batendo fundo...
Todos nascem das fendas desse chão, mas cada um traz consigo um pequenino valor.
E sempre, em qualquer que seja o período de nossa existência, construiremos verdades e princípios absolutos em cima deste.
Tentaremos enxergar nos olhos de quem nos rodeia nossos medos e nossos sonhos, nossos gostos e nossos desgostos, nossa fome e nossa satisfação, nossa visão e nossa cegueira, nossas qualidades e nossos defeitos...
No entanto, quando esses olhares forem cruzados em linhas diferentes, certamente seremos afogados pela maior onda de desilusão.
Afinal, procuramos incansavelmente pelo perfeito e quando deparamos com a sua inexistência, emanamos pelo mundo um furacão de preconceitos e egoísmo, o qual varre para longe toda a leveza da excentricidade humana.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O comboio da vida...

A esperança pegou um trem sem volta
Uma nova Rádio...(também na Internet)
Outubro 6, 2009 | Autor: Amália 92.0 FM
Onde está o fado?
O fado está no ar que respiramos.
O fado está na guelra, na estrela da tarde, na mão que te aperta.
Está descalço na pedra calçada.
A fama vem de Alfama, mas o fado também está no Bairro Alto e na Mouraria.
Na espinha da sardinha, no grito da peixeira, na Lisboa que bem cheira.
O fado está nos canhões do castelo, na vista do Adamastor e na nossa dor.
O fado está nas tascas, está no bitoque, está nas pessoas, nos ouvidos, na pele que arrepia e nos olhos fechados que não respiram.
O fado está no ar.
Está nos azulejos, na pronúncia, no xaile, no táxi, na porteira e na doutora Mixu.
O fado está nas coisas, está no perfeito coração, está na Amália, está no futebol, no 2 a 1. Está nos pais e no país
O fado está no manjerico onde não se enfia o nariz, está na chouriça assada, está no eléctrico e nos seus carris.
O fado está no Tejo e no barulho da sua ponte, está no Terreiro, está no Marquês, sempre em português.
O fado está aqui.
O fado está nas casas com chão de madeira. Está nas varandas, na cozinha e até na bandeira.
O fado está no café, no balcão que cheira a cerveja, e nos santos, salvo seja.
O fado está no carro, está no rádio do carocha, está no Mercedes Benz. E está em quem se benze.
O fado está quando se entra na Sé, está no altar, está nas mesas da escola, está ao colo do avô.
Está na empresa de fato de gravata e na sobremesa em prato de barro, que se come com colher e faca.
O fado está no vinho tinto, na roupa preta, na sola do sapato.
O fado está na alma, está na voz, está em nós.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Fado Português
Razão da reforma...
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Açores
Açores
A natureza dourando em ouro e mel
Nem me deixa ter certeza
Onde finda o teu mar,
Onde começa o céu...
Parece até
Que algum Midas desgarrado
Pôs as mãos sobre ti
À hora do ocaso
E, por magia,
Banhou-te de dourado...
© Gracilene Pinto (*)
