sábado, 18 de outubro de 2008

Estados de espírito


Afectos possessivos
Passa o tempo devagar
naquele relógio que aparafusei na cabeça
e nada sei ainda!

Então pergunto sem cessar
Se estou certa...

Se este medo tem alguma razão de ser...
Se estas lágrimas ainda fazem algum sentido.

Depois lembro-me dos sorrisos
que já galoparam em cima dos ponteiros
quando os sonhos tinham o aroma dos nossos passo
se não encontro motivos
para que a areia hoje esteja assim tão salgada.

Já nem vejo o mar à minha frente
porque agora os meus olhos
preferem a melancolia de um rio
para pintarem tranquilamente o seu pranto...

Então, porque sabem a sal os meus dedos?

Estou enjoada...

E sempre que os meto à boca,
apetece-me vomitar com esta caneta seca
todas as palavras salgadas
que me dão a volta ao estômago,
porque este silêncio amargo e doce dá-me vómitos.

(Daniela Pereira)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mesmo contra ventos e marés


Amizade sem tabús

" Se a todos nós fosse concedido o poder, como num passe de mágica, de ler a mente uns dos outros, suponho que o primeiro efeito seria que quase todas as amizades se desfariam.

O segundo efeito, entretanto, poderia ser excelente, pois um mundo sem amigos seria sentido como intolerável, e nós teríamos de aprender a gostar uns dos outros sem a necessidade de um véu de ilusão para esconder de nós mesmos que não nos consideramos uns aos outros pessoas absolutamente perfeitas.

Sabemos que os nossos amigos têm as suas falhas, e que apesar disso são pessoas de um modo geral aprazíveis das quais gostamos. Consideramos intolerável, no entanto, que tenham a mesma atitude conosco.

Esperamos que pensem que, ao contrário do resto da humanidade, nós não temos falhas. Quando somos compelidos a reconhecer que temos falhas, tomamos esse facto óbvio com demasiada seriedade.

(Bertrand Russell)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Apesar da crise...



LEVANTA-TE E ACTUA! 

Dia 17 de Outubro é o Dia Mundial para a erradicação da pobreza e, à semelhança do ano passado, espera-se que volte a ser um grande momento de mobilização a nível nacional e internacional. 

Em 2007, mais de 43 milhões de pessoas levantaram-se para exigir aos líderes mundiais que cumpram as suas promessas para acabar com a pobreza e desigualdade. Portugal contribuiu com mais de 65 mil vozes nesta iniciativa. Este ano precisamos da tua ajuda para bater um novo recorde e a enviar uma mensagem ainda mais forte para os nossos governantes.

Estamos a meio caminho de 2015, ano que marcará o final do período para alcançar os Objectivos do Milénio. É urgente “Levantarmo-nos e Actuarmos”, para que os governos honrem os seus compromissos. Tal só acontecerá se tomarmos uma posição clara.  

Continuar a ler...

Relaxando ... e divagando


Não confundir...
" Não confundir amizade (ou amor) com «interesse». É uma máxima canónica. Pois. Mas que amizade (ou amor) não assenta no interesse dela?

Porque é o interesse que cria condições não apenas para o interesseirismo mas para a própria amizade. Só nos interessa a amizade de quem nos interessa...

Os meus hábitos de vida exigem para as relações  que entre de algum modo nesses hábitos. Nem tem sentido gostar-se de alguém por si mesmo. O «si» mesmo é todo o espaço em que se manifesta.

O meu único espaço habitável para os outros é o que lhes invento em alguns livros. No resto vivo só eu.

(Vergílio Ferreira)

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Para relaxar...

Beleza Pura

Nada como ver e rever para se sentir em paz consigo mesmo

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Para um coração triste...


CANÇÃO DE OUTONO

Perdoa-me, folha seca,
 
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, 
e até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores
pelas areias do chão, 
se havia gente dormindo 
sobre o própro coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando áqueles 
que não se levantarão...

Tu és a folha de outono 
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
Certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Está fechado ... mas


O corredor das portas

Há portas onde uns poucos entram.

Há portas que nunca nos lembramos de fechar, para o hall onde se cruzam com pessoas de quem não se lembram o nome.

Há portas que uma ou outras pessoas abrem como se fosse a sua casa.
No nosso corredor vão habitando ou visitando os quartos cuja porta lhes deixarmos aberta.
Há aquela porta que, ao abrir-se, já se sabe quem lá está, onde todos se sentam e falam confortavelmente por horas a fio.
Portas há muitas, umas fechadas, outras com chave, outras para quartos vazios.

Nesse mundo organizado de portas e chaves, o paradoxo espanca-nos quando, naquela porta para onde só há silêncio e ninguém entrou porque não existe no mundo das percepções, porque a chave só nós a temos ou simplesmente porque nunca esperámos que alguém também pudesse lá estar, ouvem-se passos. Nunca nos ocorreu sequer que houvesse outra porta para aquele lugar. Um mundo puro, sem pertença, onde mais alguém decifrou o acesso a esse lugar de que nunca se falou.

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Clique no título " O corredor das portas " para ver a origem do post.

Diversidade ... De fio a pavio.


Mendigo de mim mesmo.


Virei-me do avesso,
Queria coser, os meus buracos, rotos, todos,
Os que tinha no meu corpo,
Mas nem toda a linha do mundo foi suficiente,
Desenrolei, desenrolei, perdi o fio à meada,
Forcei-o contra mim, e desatei a coser-me,
Mas foi ‘cose de um lado, descose do outro’
Remendos temporários,
Que não impediam de me esvaziar em dor;
Ai, e como dói ser, imperfeito;
Mal feito;
Nem feito sequer,
Como mói, ver-me ao contrário,
Sem fio para me emendar.
Serei sempre o buraco, roto, sem fundo,
Tal como me conformei ser.

Pedro Azevedo (23/09/07)

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Atenção! Abriu a caça.

Pássaro azul ... do Sul

Na qualidade de "passarão", haverá alguma alma caridosa, 
que me esconda e cuide de mim até que a "caçada" passe.
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Mafalda Veiga - Pássaros do Sul

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

" O que diz Molero"


Óbito: Morreu hoje em Lisboa o escritor Dinis Machado

03 de Outubro de 2008, 17:48

Lisboa, 03 Out (Lusa) - O escritor Dinis Machado morreu hoje em Lisboa, aos 78 anos, disseram à agência Lusa as editoras Bertrand e Assírio & Alvim.

O corpo do escritor estará ainda hoje em câmara ardente na capela mortuária da Igreja de Santa Catarina, em Lisboa, indicou fonte da Assírio & Alvim.

Nascido a 21 de Março de 1930, em Lisboa, Dinis Machado foi jornalista desportivo, crítico de cinema e dedicou-se também à banda desenhada.

O seu maior êxito como escritor foi o romance "O Que Diz Molero", editado em 1977 e reeditado em 2007, no dia do seu 77.º aniversário, e já adaptado ao teatro.

Sob o pseudónimo Dennis McShade, escreveu alguns policiais, que estão agora a ser reeditados pela Assírio & Alvim.

ANC/SS.

Lusa/fim

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

(Imagem retirada da Internet)


Sempre que for Outono, eu estarei lá,

Nas velhas folhas mortas e douradas,

No murmúrio das árvores cansadas,

No sol a despedir-se: - Eu volto já!

 

Há lágrimas no céu, de vez em quando,

E o vento vai gemendo de mansinho...

É o Tempo a preparar o seu caminho

Ao Natal que se vai aproximando.

 

São crianças as tardes e manhãs.

As noites, a crescer, são como irmãs

No eterno labutar da nossa vida...

 

Em cada novo Outono, eu lá estarei

Cantando esse Natal que preparei

Nas horas que aqui vivo de fugida...

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Cada vez que entro no blogue de sonetos da Maria João 

Brito de Sousa encontro verdadeiras “pérolas” 

que me deixam cheio de “inveja”.

 

*** Clique no títuloEM CADA NOVO OUTONO...” 

        para ver a origem de tão lindo soneto.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dia de...

Dia Internacional da Terceira Idade (ou ... do Idoso)

Dia Mundial da Música.

Dia Nacional da Água (Portugal)

Adoro água, ainda não me sinto idoso (no verdadeiro sentido da palavra)...
Mas a música é de tudo o que mais me apraz.
Como "Louco" que sou por música, aqui vai a minha homenagem

Ney Matogrosso  - Louco

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vem aí o Orçamento !!!

Um conselho para José Sócrates e para o Ministro das Finanças:

Com a crise a grassar da maneira que se vê, 

não seria melhor "contratar" este elemento 

para "equilibrar" as contas do País?

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O Equilibrador de Pedras


sábado, 27 de setembro de 2008

Luares saudosistas !!!

Ala dos Namorados - Nancy Vieira - Rão Kyao - Lua vagabunda

Ainda o Alentejo !!!

A terra dos regressos.

Ainda o Alentejo. Ainda a palavra imensidão a significar-se a si mesma, ainda nova, ainda por gastar tal como as cores e os cheiros, o Alentejo na sua quase inocência, belo dentro de uma pureza que é suave, meiga, calorosa, sorridente, ainda o Alentejo no seu estado puro, tremendo, castiço, cantando-se, sorrindo-se enquanto espera, espera se calhar que o tempo não lhe acerte, que o mundo continue assim, esquecido, distraído, preocupado com todos os nadas, distante, correndo apressado atrás da sua cauda, rodopiando à volta do vazio, procurando um tudo que nunca aparece, nunca aparecerá...

Ainda o Alentejo. Ainda as pessoas e a sua essência, ainda a simplicidade como se coisa comum, a simplicidade desarmante, as pessoas elas mesmas, as pessoas, capazes de gestos leves e palavras puras, encantadoras, as pessoas a significarem-se a elas mesmas, sem metáforas, sem eufemismos, sem qualquer figura de estilo, sem máscaras, as pessoas de braços abertos, as pessoas celebrando os minutos, as horas, os dias, saboreando cada pedaço de vida, aceitando-a numa paz de fazer inveja, apaixonantes, fascinantes, as pessoas como derradeiro significado da palavra beleza, inesquecíveis. 

Ainda o Alentejo. Ainda o amanhecer feito paleta de cores, feito pintura de museu, obra-prima de um mestre esquecido, ainda as tardes de silêncio, enormes, tardes quentes de um tempo parado, tardes eternas que mergulham sem aviso num escuro de brilhantes, num escuro de pérolas suspensas no ar, vagueando em cima das almas que se estendem para elas, numa admiração horizontal, numa admiração de criança, num reencontro com os fascínios que não deveria nunca acabar, ou pensando melhor, que nunca acaba, ou não fosse o Alentejo a terra onde ninguém vai, mas onde toda a gente regressa. A si.

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PS: Obrigado, Marco, pelo texto tão cheio de sensibilidade. Sabe sempre bem ler estas palavras.
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Clique no título "A terra dos regressos ", para ver a origem do post.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Mas porque é que gente não se encontra !!!

Nesta vida de encontros e desencontros....

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Clique no link abaixo para ler e ouvir os porquês

Elvira(s) da Conceição !!!

O avental

Um avental cor–de–rosa ... 
Desabafa desta forma maravilhosa: 

Fui um avental... 
Muito especial... 
De uma professora primária... 
Mas, hoje sinto-me muito otária

Porque fui abandonado ... 
De um jeito mal explicado
Um dia, eu vesti uma linda mestra, 
Que lecionava em plena festa

Eu vesti uma professora de crianças ... 
Eu fui testemunha de mil esperanças 
Naquele tempo, eu era feliz ... 
alimentava-me da chuva de giz, 

Que caía na minha alma, atrás daquele quadro escuro ... 
Agora, estou neste reino tenebroso e obscuro 
Eu ensinei a ler ... 
Com muito prazer
Mas, agora, sinto-me um inútil ser 

É o reino dos aventais... 
Onde os segredos mais secretos não ficam calados

(Paula Macedo) >> Café da Mazunguice <<

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Uma "Flor" de outro jardim !!!


É TEMPO DE MUDAR
Autoria - Silvana Duboc
29/08/2008

É tempo de despedida,
de adeus, de partida.
É tempo de esquecer,
de virar uma página da vida
onde não se pode mais escrever.
É tempo de aliviar a alma dolorida
cansada de tanto sofrer.
É tempo de procurar novos horizontes,
mergulhar em outras fontes.
É tempo de buscar alegrias
e ignorar a nostalgia
que impede a felicidade.
É tempo de colher verdades
e dar um vôo rumo à realidade.
É tempo de crescimento interior,
de se deliciar com o sabor
de existir sem pendências.
É tempo de força e paciência,
de resignação e consciência.
É tempo de recuperar o tempo,
cada minuto, cada momento.
É, enfim, tempo de mudar
pois quem não muda tende a estagnar.

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Por vezes, as conversas são como as cerejas. 
Agarra-se uma e vem tantas outras atrás,
situações após situações, 
resoluções a precisar de tantas soluções.

Obrigado, Florita.

Hoje e Sempre na Memória

I miss you DaddyHomenagem ao 11 de Setembro