sexta-feira, 19 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Uma "Flor" de outro jardim !!!
Autoria - Silvana Duboc
29/08/2008
É tempo de despedida,
de adeus, de partida.
É tempo de esquecer,
de virar uma página da vida
onde não se pode mais escrever.
É tempo de aliviar a alma dolorida
cansada de tanto sofrer.
É tempo de procurar novos horizontes,
mergulhar em outras fontes.
É tempo de buscar alegrias
e ignorar a nostalgia
que impede a felicidade.
É tempo de colher verdades
e dar um vôo rumo à realidade.
É tempo de crescimento interior,
de se deliciar com o sabor
de existir sem pendências.
É tempo de força e paciência,
de resignação e consciência.
É tempo de recuperar o tempo,
cada minuto, cada momento.
É, enfim, tempo de mudar
pois quem não muda tende a estagnar.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Mel tirado de um vespeiro !!!

As manhãs de Sábado eram as preferidas pelos amantes.
Perfeitas para encontros fortuitos na frente do mundo e nas costas de Deus.
A casa da Santinha estava incrustada na Rua do Comércio, o centro nevrálgico da pequena vila, e as manhãs de Sábado enchiam a calçada de passos e vozes. Correrias de crianças, chamamentos de mães, cumprimentos de ocasião.
Os homens discutiam as últimas notícias do desporto, encostados na ombreira da porta da Tabacaria Moderna e havia magotes de mulheres amontoadas nas mesas da Pastelaria Docemel, a beberricar cafés ao ritmo do último mexerico.
O Dr. Nataniel, o advogado mais proeminente da praça, folheava o Semanário Económico sentado num dos bancos de ferro pintados de verde abeto, que ladeavam a rua para descanso dos passantes. Olhava as notícias sem as ler...As manhãs de Sábado eram as melhores para apreciar o mulherio, pelo rabo do olho. Fixava-se na dança das saias embaladas pelas ancas, fitava os saltos altos qual altar de corpos que imaginava nus e de braços abertos para si. O Dr. Nataniel gostava de sentir o desejo que lhe corroía o corpo todo, a dor aguda que lhe tomava conta das partes intimas e lhe devolvia esperanças vãs de adolescências infames.
A Santinha, entreabria a janela da frente e deixava entrar o buliço da rua. O peito ardia-lhe na antecipação da chegada dele.
Vestiu o robe de chambre de organza rosa velho por cima da pele leitosa, e bebeu o chá, já quase frio, em goles nervosos. Ele raramente se atrasava. Quase 10 horas da manhã, os sons vindos da rua emolduravam a ansiedade da sala. Dois toques. Um, depois o outro, na porta das traseiras da casa. Era ele!
Abriu uma nesga da porta. Apenas o suficiente para o intruso passar. Deixou-se ficar ali atrás da porta, como uma gata no cio, a retorcer-se da ausência dele.
A porta fechou-se. Ele olhou-a, sorriu, e ela entregou-se ali mesmo, sem bons dias, sem mais nada que não fosse a pressa de apagar o incêndio que ameaçava a sua integridade física e que ceifava vidas no interior das pernas.
Na rua do Comércio, a manhã decorria na costumeira cadência de vai vem, e os gemidos que escorriam da janela entreaberta, imiscuíam-se com as vozes dos transeuntes, e coloriam aquela manhã de Setembro de prazenteiros tons solarengos.
O sino na torre da igreja, chamava para a missa das 11, e uma debandada de pardais assustados precipitava-se sobre as acácias da praça.
A Santinha rezava mistérios a duas vozes. Cumpria promessas feitas ao ouvido, pelo chão frio e rijo da casa. Dava graças pelo caudal de vida que lhe varria os sentidos.
Aos poucos, o dia foi escoando sons e passos, deixando no ar apenas a urgência do almoço anunciado em cheiros a comida quente.
O sol de Outono, implacável fazia o casario cair em sombras densas sobre a rua do Comércio, agora abandonada à sua sorte de fim de semana, a solidão.
A sombra silenciou também a casa da Santinha. Lá dentro um manto de suor cobria os dois corpos fartos e quietos.
- Sábado de manhã voltas?
- Sempre minha Santinha.
Na rua ouvia-se agora um passo arrastado, e melancólico. Era o João Francisco, o deficiente que vivia na esquina de baixo com a mãe. Vinha da igreja, onde pedia esmola na saída da missa, e varria com a perna morta os últimos vestígios de gente do meio da rua.
Depois ficou o nada. As casas deitaram-se à sesta, e a Santinha fez juras de manhãs eternas enquanto acenava um adeus saciado.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Mãos !!!
Poema das mãos
(Miltinho)
Nas tuas mãos deixei meu sonhoNas tuas mãos deixei bondade
Alegre sonho, ficou tristonho
nas tuas mãos virou saudade
Nas minhas mãos o teu perfume
Nas minhas mãos o teu cabelo
O meu ciúme, o meu queixume
Nas minhas mãos um triste apelo
As tuas mãos estão mais frias
Estão vazias de meus beijos
As minhas mãos talvez não sintas
Estão famintas de desejos
Nas tuas mãos a minha vida
Gatinhas !!!
Porque será que eu as prezo ?

As mulheres sabem quando são amadas. Sabem não, sentem! É uma coisa difícil de explicar, só quem partilha do sexo feminino entende. As mulheres sabem quando o homem ao seu lado gosta delas, nos simples gestos de dar a mão sem vergonha, dizer a verdade independentemente dos efeitos que poderá ter, cobrir o parceiro a meio da noite quando este se tiver destapado. E esse sentimento é crucial para saberem quado desistir ou lutar.
As mulheres sabem reconhecer o amor, não só em si, mas também nos outros. É algo que existe, algo real, e apesar do que dizem, o amor não é abstracto. O amor é visível e podemos senti-lo à nossa volta, se estivermos atentos. Mas claro que isso é muito mais fácil quando se é mulher.
As mulheres sentem e vivem ao sabor das emoções, e se calhar é por isso que se vão abaixo tão depressa quando ficam de coração partido, ou que arranjam forças para lutar quando a causa parece perdida. Há uma energia que o sexo feminino compreende na íntegra que lhes garante se arriscar é, ou não, uma boa opção.
Sim... As mulheres sabem amar. Não é por acaso que são as mulheres a dar à luz e não os homens, digo eu. Os homens também amam, claro, mas de formas distintas. Há neles um sentido prático de descomplicar tudo, ao passo que a mulher examina cada detalhe até à exautão, até se sentir satisfeita com as respostas que encontrou.
As mulheres sabem quando o homem ao lado delas é o tal. Sentem-no, tão simples como isso. E é por isso que ás vezes lutam contra a maré para ficar com eles, mesmo quando eles pensam que não querem ficar com elas. Remam, remam, até convecerem toda a gente (e até a parte delas mesmas que já começava a desconfiar) que vale a pena. E normalmente acertam.
Uns chamam-lhe intuição feminina, outros de sexto sentido. Eu digo apenas que é um dom que cada mulher recebe à nascença: o dom de amar perdidamente. E é esse dom que nos protege e guia, mesmo quando tudo o resto não colabora
e a vida sopra na direcção contrária.
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Clique no título " Mulheres" para ver a origem do post.
domingo, 7 de setembro de 2008
Stormy Weather...
A tempestade do destino...
Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço.
Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo.
Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti.
Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e
É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
(...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade,
O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele.
Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim.
(Haruki Murakami)
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Voltei !!!
Contra ventos e marés
Pelo mundo lés-a-lés
Coração ao povo dado
Contra ventos e marés.
Só o fado canta saudade
Na sua voz mais sentida
Tembém canta liberdade
De ser gente nesta vida
Cantando às vezes tristeza
Mágoa de sede sem fonte
Foi nos mares da incerteza
Asa febril de horizonte.
Se o fado, se é fado inteiro
Fado antigo ou fado novo
Deste país marinheiro
Canta a alma deste povo
Minha terra que eu nem sei
Ó tanto que tanto és
Ao fado te cantarei
Contra ventos e marés.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
Todos juntos, em uníssono
Férias...

Sem comprometer todos os restantes dias do ano
em que estou (quase permanentemente de folga),
vou de
***** FÉRIAS *****
Não vou levar computador, por isso não vou
>>>>> POSTAR <<<<<
Vou apenas postar o meu “corpinho” no lugar ao
===== SOL =====
a que tenho direito.
Podem achar que não é direito, correcto, mas, meus amigos,
vou aproveitar esta minha fuga ao meu “eremitismo”, para
pensar bem sobre o que vai ser o resto do ano.
Se..... vou “continuar de férias” ou se me vou refugiar na
gruta do meu “ego”.
Tudo de bom para todos. Aproveitem para ler um montão
dos meus posts anteriores e tenham nos vossos corações
a presença deste “vosso amigo”Enigma

Máscaras…
Sempre que coloco uma máscara para encobrir minha realidade,
Fingindo ser o que não sou,
Fingindo não ser o que sou,
Faço-o para atrair as pessoas.
Mas logo descubro que somente atraio outros mascarados,
Afastando as pessoas devido a um estorvo: a máscara.
Faço-o para evitar que os outros vejam minhas fraquezas.
Mas logo descubro que por não verem a minha humanidade,
As pessoas não podem me amar pelo que sou, e sim pela máscara.
Faço-o para preservar minhas amizades.
Mas logo descubro que quando perco um amigo, por ter sido autêntico,
Ele realmente não era amigo meu, e sim amigo da máscara.
Faço-o para evitar magoar alguém e por diplomacia,
Mas logo descubro que é a máscara
O que mais magoa as pessoas de quem quero me aproximar.
Faço-o com a certeza de que é o melhor que tenho a fazer para ser amado.
Mas logo descubro o triste paradoxo.
O que mais desejo conseguir com as máscaras
É precisamente o que com elas impeço que aconteça.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Fragilidade da Vida.... Em Contraponto.

FRAGILIDADE DA VIDA
EM CONTRAPONTO
A vida é tão frágil...
E o tempo tão ágil...
Mais do que violetas perfumadas
Ou quaisquer outras flores silvestres
Que resistem às agruras do tempo...
Mais do que sonhos perdidos
Ou ilusões e quimeras terrenas
Qual folhas mortas levadas pelo vento...
Mesmo sem que ninguém olhe para elas.
Nos humanos, a vida, todos os dias fica adiada
E sem que saibamos ou deixemos antever
É sempre menos tempo até morrer.
.
Sonhos deixados para mais tarde...
O viver um dia em cada dia...
Esquecem-se as amizades
Esquecemo-nos até de nós
Qualquer dia ...
Qualquer instante...
Não se liga à saúde em devido tempo
E a vida sem qualidade não tem doçuras...
Desperdiçamos emoções com as agruras
E o amor foge a cada momento...
Esquecemos de procurá-las de verdade.
Encontramos apenas amarguras.
Um dia...acontece e a vida então fenece!
E daí, então tudo se esquece!
.
Com as agruras do tempo...acontece.
Melhor ser flor abandonada e
Num canteiro esquecida...isolada
Na montanha ou no vale...
Mas que permanece e renasce
Em novas madrugadas!!!
.
Com o perder das horas ... tudo estremece.
Antes fosse estátua em pedra dura
Esquecida em jardim sem brincadeiras
Toda cercada de urze e trepadeiras
E aí permanecesse mesmo sem vida!!!
.
Melhor não adiar as horas adocicadas!
Que o agora seja mudança...
Que nada mais seja adiado,
Para o futuro ser de bonança!
.
Melhor viver em desesperança!
Sem sonhos e sem quimeras...
Que assim fosse durante eras,
Sem presente, sem futuro e sem passado.
sábado, 9 de agosto de 2008
Porque hoje é sábado !!!
O dia da criação
(Vinicius de Moraes)
Macho e fêmea os criou.
Gênese, 1, 27
I
Hoje é sábado, amanhã é domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Não há nada como o tempo para passar
Foi muita bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo
Mas por via das dúvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é domingo
Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionando regularmente
Todas as mulheres estão atentas
Porque hoje é sábado.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Alimento e Arte - III
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Alimento e Arte - II
Vejamos algo bem concreto e evidente. Partamos de algo irrefutável e presente na vida de cada um. Desde que nascemos, a necessidade mais radical é comer. O choro do recém-nascido já indica sobretudo fome. Mas façamos da fome algo poético-ontológico e não meramente físico. Façamos do comer, do alimentar-se, a necessidade radical e essencial. Mas o que acontece com o comer e com a comida, em todos os tempos, em todos os povos, em todas as idades? Ninguém simplesmente come para acabar com a fome. Há a preparação da comida. Há até um certo ritual. À preparação da comida se denominou e denomina arte culinária. O que esta faz com a comida? Em que é que ela consiste? O importante a perceber aqui é que o “cuidado”, enquanto arte, com a comida precede o simples comer e “satisfazer” a necessidade. A arte culinária não acrescenta algo à comida física. Pelo contrário, o cuidado, a Cura, já mostra um outro horizonte em que se move o satisfazer a necessidade de comer. Ou seja, o comer é muito mais do que a satisfação “física”. A comida antes de ser um utensílio que satisfaz à necessidade de comer, antes de ser útil, ela é arte culinária. Mas aí notamos algo extraordinário. O âmbito do “útil” (ou seja, do utensílio) tem sua medida de satisfação e de alimentação não em si, mas na medida inerente à arte culinária. O ser humano já se move no cotidiano ato de comer num horizonte poético-ontológico. Alimentar-se para ele é um alimentar no horizonte da arte. O culinário diz aí um modo de arte. Os ritos de comer, os próprios ritos das primícias já mostram como a própria arte de comer já se inscreve em algo bem mais complexo e essencial, onde não há separação de modo algum entre o físico, o psíquico e o espiritual. As próprias obras de arte – música, canto, vestes, pinturas, instrumentos musicais, dos ritos – sempre estiveram ligadas a esses rituais e festas. E em todas as festas sempre estão presentes as comidas, a mesma arte culinária a tudo integrado. E o sagrado a tudo reúne, porque em sua vigência comparece vida e morte, como essência e vigor de manifestação, alimentação e vitória da vida diante da morte. A arte se integra à vida de tal modo que o viver é, poético-essencialmente, fazer da vida uma total obra de arte. É nesse sentido essencial que as obras de arte são sempre alimento.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Por falar em preguiçosos ...
Vá lá um esforçozinho !!Comentem os posts,
Nao façam como o malandro acima.
É bom ter respeito,
mas não se amedrontem,
essa mãe só "bate" se escreverem
posts feios, com palavras pouco bonitas,
daquelas que faltem ao respeito
a qualquer "boa" mãe.
*****
Deixem a preguiça de férias
para outros, que não sabem ou
não querem mesmo colaborar.
*****
Bem Hajam!!!
Arriscar


